ESPAÇO ABERTO
Crise, pós-crise e seus sentimentos
Leandro Bernardi de Almeida
Após um ano marcado por gripes, crises mundiais e (novos) escândalos na política, encerramos os doze meses de 2009 sob o bordão ''entre mortos e feridos, salvaram-se todos''. É evidente que inúmeros chefes de família sentiram na prática os efeitos da crise financeira internacional, mas também é sabido que grande parte destes efeitos deu-se principalmente pelas consequências do medo. Sim, isto mesmo que você leu: do medo.
A crise internacional afetou o comércio em geral da sociedade brasileira galopando nesta palavrinha de apenas quatro letras. As demissões confessam o medo dos empresários em não saber por quanto tempo duraria a queda das vendas. E muitos deles ainda encontram-se submersos nesta maré-baixa de resultados.
O mesmo medo recaiu sobre a população assalariada que se viu à mercê de sua demissão a qualquer momento, tudo justificado pela crise, baixo número de vendas, redução de custos e etc.
Porém todo cenário motivado por uma situação psicológica (chamada de medo) também tem seu fim (ainda bem!). O fator medo perde sua força ao analisarmos os dados do Dieese que apontam que mais de 87% dos demitidos a partir de outubro de 2008 (auge da crise mundial) já foram recolocados no mercado de trabalho. Para aqueles que se mantiveram empregados ou de portas abertas enquanto a crise se instalou no país, o medo passa a dar lugar ao sentimento de tranquilidade agora que a imprensa anuncia que o país tecnicamente está fora da recessão.
Aliados a estes novos fatores psicológicos, iniciamos 2010 sob as maiores e melhores previsões econômicas dos últimos anos. Grandes nomes da economia nacional e internacional projetam um crescimento de 5,8% a 6,1% na produção brasileira, onde bens de consumo (incluindo vestuário, calçados e acessórios) crescerão nos próximos oito anos. Olimpíadas e Copa do Mundo farão do Brasil a ''bola-da-vez'' atraindo grandes investimentos estrangeiros, valorizando o Real e aumentando no mercado interno a oferta de produtos industrializados antes exportados. A maior entrada de dólares no país sugere entre outras coisas, a redução de juros e o crédito mais barato, fomentando assim a indústria nacional e a compra a prazo de produtos acabados. A mão de obra tornar-se-á mais aproveitada, de modo a ser escassa inclusive em vários segmentos. Outros setores da economia sentirão os benefícios já aproveitados pelos setores da linha branca, automóveis e construção civil em 2009, fazendo com que a gigantesca roda da economia volte a girar de ponta a ponta nas mais diversas cadeias produtivas.
Porém este cenário não deve nos cegar para a necessidade de trabalho árduo, a criatividade, a inovação na área de vendas e a constante necessidade do aumento de relacionamento entre vendedores e clientes para gerar o sentimento de confiança entre eles. Sim, confiança é o sentimento que o mercado consumidor se agarrará para escolher onde, quando e quanto gastar.
Toda instabilidade nos ensina que crise é horror e oportunidade. Apaguemos de nossas mentes os dias de intranquilidade gerados pelos horrores e potencializemos as ideias e ações criativas que tivemos que desenvolver em 2009 para gerar em 2010 novos empregos e oportunidades de relacionamento entre clientes e vendedores.
LEANDRO BERNARDI é presidente da Associação de Lojistas do Catuaí Shopping Londrina
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