Os bra­si­lei­ros
gas­tam em mé­dia
ape­nas 5,2 ho­ras
por se­ma­na com a
lei­tu­ra, um dos
ín­di­ces ­mais
bai­xos de uma
lis­ta de 30 ­países





Eram 03h44, do dia 31 de dezembro de 2009 quando ouvi o entregador de jornais arremessar o exemplar da FOLHA DE LONDRINA daquele dia no jardim de minha casa. Desci correndo as escadas, apanhei o jornal e, de imediato, comecei a leitura. Era o último exemplar do ano, e com certeza, as chamadas, as notícias, as fotos, os comentos e demais seriam deveras interessantes e por certo mui importantes. E realmente o foram!
Contudo, um texto me chamou a atenção mais do que outros publicados durante o ano de 2009. Refiro-me ao Editorial, publicado na seção FOLHA Opinião (pág. 2), sob o título ''Em 2010, por favor, leia mais''. O motivo de minha atenção para com o texto deveu-se à coincidência de que, para não errar, devo ter repetido parte da mesma frase no ano que se findou, pelo menos, mais de ''quinhentas vezes'', junto aos meus familiares - apesar de sermos uma família de leitores -, aos meus amigos, aos meus alunos. Não é todo dia que se encontra escrito pelo editor de um dos mais renomados veículos de comunicação do Sul do país o que se vem ministrando há anos. Foi, verdadeiramente, uma surpresa!
Motivada pelo texto, por um lado, quero trazer à baila algumas frases por mim constantemente verbalizadas, a fim de também despertar e/ou alentar aqueles com os quais terei contato por meio deste singelo ensaio, o incomparável prazer da leitura, a saber: ''A leitura engrandece a alma.'', Voltaire; ''A leitura é uma fonte inesgotável de prazer'', Carlos Drummond de Andrade; ''Um homem não pode bem escrever se não gostar um pouco de ler'', Clément Marot; ''Um país se faz com homens e livros'', Monteiro Lobato. Por último, fazendo coro com o editorial, ''Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias'', Mário Vargas Llosa.
Ademais, por outro lado, quero trazer alguns dados estatísticos, a fim de também demonstrar aos leitores a urgente necessidade de recuperarmos o prazer da leitura, visando aprimorar o vernáculo, expandir o vocabulário, melhorar a redação, estimular novos escritores, bem como idear melhores oportunidades laborais, a saber: o Brasil está entre os piores países na lista de educação divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), organismo pertencente à Organização das Nações Unidas (ONU). Referida lista mede conhecimento de ciências de estudantes a partir do segundo grau em cinquenta e sete países e, pasmem, o Brasil se encontra na posição cinquenta. O secretário-geral da OCDE, o mexicano José Ángel Gurría TreviÀo, em um de seus pronunciamentos, afirmou: ''Na economia global competitiva de hoje, educação de qualidade é um dos bens mais valiosos que a sociedade e um indivíduo podem ter''. Ainda, consoante informações divulgadas pelo Instituto Pró-Livro, dos noventa e cinco milhões de leitores brasileiros, 21 milhões lêem por obrigação; dos 77 milhões de não leitores, 21 milhões são analfabetos. Por último, no portal do Ministério da Educação e Cultura (MEC), consta registrado que os brasileiros gastam em média apenas 5,2 horas por semana com a leitura, um dos índices mais baixos de uma lista de trinta países onde foi realizada pesquisa sobre hábitos das populações locais, promovida pelo NOP World Report Reports Worldwide, instituto que elabora estudos sobre comportamentos do mercado mundial. Esse índice deixou o Brasil na 27 colocação entre os países pesquisados, à frente apenas de Taiwan, Japão e Coréia, e atrás de Venezuela, com média de leitura de 6,4 horas semanais, Argentina com 5,9 horas semanais e México com 5,5 horas semanais, destacando-se que o país em que a população dedica mais horas à leitura é a Índia, com média de 10,7 horas semanais, isto é, mais do que o dobro da marca brasileira.
Urge promovermos ações conjuntas, do Governo às Organizações Não-Governamentais, da Internet às Ruas, dos idosos aos infantes, visando fincar o hábito de ler nas mentes destes, para que, então, descortinem o prazer da leitura, a fim de ser possível encontrar mais cidadãs e cidadãos brasileiros preparados para analisar, refletir, interpretar, questionar, criticar e se posicionar como generalistas. Portanto, em 2010, por favor, leiam mais!
ADILOAR FRANCO ZEMUNER é advogada e docente da Universidade Estadual de Londrina e da Faculdade Arthur Thomas

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