ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Simone Oliani 
É preciso que tenhamos a
capacidade de amar, de perdoar, de respeitar-se
a si próprio e aos outros
Todo final e começo de ano avaliamos o ano que passou e fazemos planos para o ano que se inicia. O que valeu a pena e o que merece ser esquecido. Amigos que ganhamos, outros que se perderam na correria do dia a dia. Alguns sonhos conquistados e outros que ficarão para o próximo ano. Alguns nascimentos e mortes.
A avaliação geral parece ser otimista. Com a redução de taxas de IPI em 2009, muitos tiveram a oportunidade de conquistar o carro e moto zero, o imóvel, além dos móveis e eletrodomésticos. Na avaliação geral a crise financeira internacional realmente foi uma ''marola''.
E as conquista pessoais? Também a avaliação parece ser mais positiva que o ano anterior, pois muitos estão buscando realizar o sonho do curso superior e estão tendo acesso com as facilidades de ingresso. Outros mudaram de emprego ou foram promovidos. E teve até quem programou a viagem dos sonhos. Quando consideramos aspectos culturais que representam conquistas de bens de consumo e de status como as citadas acima, parece ter sido muito reforçador para a maioria dos brasileiros o balanço geral de 2009.
Sempre avaliamos o que temos ainda por fazer e planejamos o próximo ano: emagrecer, cuidar da saúde, trabalhar menos, ganhar mais, aproveitar momentos com a família, relaxar mais, adquirir isto ou aquilo. Alguns podem ter um pensamento pessimista, talvez não dê mais tempo, não consigo... Disse um pensador: ''Se você fica dizendo que as coisas vão ficar ruins, tem boa chance de se tornar um profeta''. Talvez possamos perceber que o que nos impede seja nossa limitação pessoal de avaliar adequadamente nossas metas para que elas possam ser atingíveis de acordo com as contingências ambientais.
Vamos aos planos de janeiro: quando somos jovens temos sonhos grandiosos: escrever, viajar, abrir um negócio; ter sucesso... sonhamos... sonhamos. Alguns réveillons depois, independente da idade que temos, começamos a deixar estes planos em segundo plano e mudamos de direção, por inúmeras variáveis que interferiram em nossas metas. Alegamos que faltou tempo, dinheiro, disposição e transformamos o mês de janeiro em uma grande segunda-feira. Onde tudo é iniciado e nem sempre finalizado. Arrumamos desculpas para justificar o que não fizemos, motivos para convencer a comunidade de nossa impossibilidade ou limitação. E diminuir nossa culpa ou frustração.
Não sei se ajuda, porém pense em Julio César que escreveu seus textos em uma barraca de campanha, à noite, enquanto todo o exército dormia e descansava, e que no dia seguinte, bem cedo, estava pronto para o combate. Dom Quixote foi escrito por Cervantes numa cela de prisão em Madri. Beethoven continuou compondo mesmo após ter ficado completamente surdo. Lutero traduziu a Bíblia durante o tempo em que permaneceu no castelo de Wartburg. Você pode pensar ''como fazer o que eu quero e sonho se tenho que trabalhar''? Sabe do livro/filme ''E o vento levou''? A autora era jornalista em tempo integral. E agora quais serão suas desculpas?
Se você fosse escrever seu epitáfio como escreveria? Como gostaria de ser lembrado? O momento é agora de rever e reeditar seus sonhos. Lembra aquela letra de música dos Titãs que diz ''Devia ter amado mais/Ter chorado mais/Ter visto o sol nascer/Devia ter arriscado mais/E até errado mais/Ter feito o que eu queria fazer...''. O que você pode fazer em 2010?
Há uma frase atribuída a Shakespeare: ''Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos ganhar, por medo de tentar''. Skinner considerou esta análise por outro ângulo: ''Não considere nenhuma pratica como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite nenhuma verdade eterna. Experimente''.
É preciso que tenhamos a capacidade de amar, de perdoar, de respeitar-se a si próprio e aos outros, com todos os erros e defeitos, que são inerentes à condição humana. Esqueça as desculpas e planeje metas de curto, médio e longo prazo. Seja inovador, solicite ajuda, compartilhe com os seus amigos e familiares próximos os seus sonhos. E os realize!
Para não fugir do clichê, desejo-lhe um ano de 2010 cheio de realizações, saúde e paz. Feliz Ano Novo.
SIMONE OLIANI é psicológa e professora universitária em Londrina


