O mistério do Natal é a revelação do projeto de Deus que continua na história da humanidade. É Deus que vem fazer história com a gente, o Deus que assume a nossa condição limitada para nos conduzir ao ilimitado. E o Verbo se fez carne e veio morar em nosso meio, o Verbo eterno se faz corpo, igual ao nosso para que aprendamos a amar mais os outros e a construir um mundo mais humano. É Deus que se faz gente com a gente. Por isso, é tempo de mudança interior e de solidariedade.
Desde muito tempo tenho percebido que no período do Natal muitas pessoas se tornam solidárias. Fico imaginando o dia de Natal como uma grande festa de todos os seres humanos, até mesmo quem não acredita em Jesus se confraterniza neste dia. Penso em uma grande mesa que atinge o mundo todo; nela sentam-se todos: pobres, ricos, incluídos e até mesmo excludentes para a comer e beber.
Oxalá esta realidade perdurasse para sempre, o ano todo. Esta imagem é a imagem da realidade e que está por vir. Na Jerusalém celeste todos os povos haverão de sentar-se diante de Deus para a festa da vida. Ninguém é maior ou melhor que ninguém, somos todos filhos.
O Natal comemora o nascimento de Cristo. Mas ninguém sabe ao certo o dia em que Jesus nasceu. Acredita-se, inclusive, que Cristo não nasceu no ano zero, mas entre os anos 4 a 5 a.C.
Como foi escolhida, então, a data de 25 de dezembro? O dia 25 de dezembro era uma festa conhecida, no hemisfério norte, como festa da luz, e comemorava o solstício de inverno, ou seja, quando o dia está no seu menor período. Mas, justamente neste dia, se comemorava o dia do Sol Invencível, que renascia no coração do inverno europeu.
Na pré-história, tradições do mundo pagão, como as festas em comemoração ao Sol vindas do Oriente, foram incorporadas pelo Império Romano.
Com o crescimento e a difusão do cristianismo, optou-se por usar a Festa da Luz para celebrar aquele que era a Luz, Cristo.
O dia 25 de dezembro não é uma comemoração cronológica, mas de um significado: o aparecimento do Sol, o ressuscitado, por isso em todo mundo a luz que dá o tom do Natal.
O símbolo do Natal é a luz, mas não mais a do Sol, que precisa de uma oferenda, mas daquele que se faz oferta por nós, já que Cristo, sendo Deus, se fez homem para nos salvar de todos os males. Neste mesmo aspecto é importante que, como cristãos, nos tornemos luz em meio às trevas do consumismo.
Na celebração do Natal somos chamados a reconhecer a nova luz que brilha em nossas vidas. Nesta luz visível vemos a Luz invisível da divindade feito carne e vem morar para sempre conosco. O Natal é atualização do mistério pascal na nossa vida como início da redenção salvífica.
E Deus toca o humano para divinizá-lo. O Filho por amor assume a nossa fraqueza humana para que Nele nos tornássemos eternos. Por isso na celebração eucarística do Natal somos chamados a participar do banquete celeste oferecido ao Santos e anjos, tornando-nos com Ele e Nele um único corpo participando assim da cidadania celeste. E assim rezamos logo após a comunhão: ''Ó Deus de misericórdia, que o Salvador do mundo hoje nascido, como nos fez nascer para a vida divina, nos conceda também sua imortalidade''.
Feliz Natal para todos os seres humanos que acreditam que o mundo será bem melhor quando a paz plantada por Deus em nosso coração possa dar fruto. Depende apenas de nós, Deus já fez sua parte.

JOEL RIBEIRO MEDEIROS é padre na Paróquia São Vicente de Paulo em Londrina

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