ESPAÇO ABERTO
IPTU, aritmética e falta de criatividade
Julio Ernesto Bahr
O prefeito Barbosa Neto foi derrotado na sua insistência em aumentar o valor do IPTU e, por conseguinte, as despesas dos londrinenses. Tudo indica que o prefeito está cometendo dois enganos: o primeiro deles, um simples erro de aritmética, quando cita a projeção do valor do IPTU a ser arrecadado na cidade. Ele se esquece de que houve um boom na construção civil de Londrina nos dois últimos anos. Significa que muitos imóveis novos, residenciais e comerciais, vieram se somar aos existentes, o que fará aumentar sobremaneira a arrecadação do IPTU. A Gleba Palhano, principal geradora das discussões na Câmara de Vereadores, praticamente nem existia há dois anos. Quem circula de automóvel pelo entorno da cidade fica surpreso com a quantidade de novos condomínios horizontais construídos. Além disso, existe a correção anual dos valores, acompanhando os índices oficiais da inflação.
O segundo engano é na área administrativa. O prefeito, assim como fazem centenas de outros gestores públicos, não usa de criatividade para buscar novas fontes de arrecadação. Qualquer cidadão mais lúcido é capaz de vislumbrar outras infinitas possibilidades de obtenção de recursos para a cidade, além do famigerado IPTU: por exemplo, a criação de um novo distrito industrial e de incentivos fiscais para que mais indústrias se instalem na região; melhor aproveitamento turístico, estabelecendo parcerias com os organizadores dos inúmeros eventos privados (seminários, congressos, exposições) que ocorrem na cidade, nos quais a Prefeitura e a Secretaria do Turismo se omitem; idealização e promoção de grandes feiras de negócios a exemplo do que realizam cidades maiores; concursos de vitrinismo, de decoração, de restauração de fachadas, que sempre atraem visitantes de outras regiões; promoção de grandes espetáculos de nível internacional, etc.
Ah!, esqueci!, a Prefeitura está ocupada em tapar buracos nas ruas mal pavimentadas, trocar diariamente a terra de lugar sob o novo viaduto da PR-445 e fiscalizar, desde outubro, a retirada de toras do Lago Igapó 2.
JULIO ERNESTO BAHR é publicitário e escritor em Londrina
O mundo se acalma no Natal
Walmor Macarini
Quando a humanidade passa por situações de grande comoção ou vive momentos especiais de serenidade, ela se purifica um pouco mais e propicia a limpeza da atmosfera densa que paira sobre o mundo. Assim foi quando da morte de Lady Di, porque comoveu toda a população da Terra e isso moveu uma vigorosa energia restauradora; quando dos tsunamis, terremotos e vendavais que arrasaram cidades e ceifaram milhares de vidas coletivamente; quando das inclemências do tempo que destruíram casas e plantações e semearam desabrigo e morte; quando de acontecimentos que reavivaram esperanças para o mundo como foi a eleição de Barack Obama; e nestes dias que envolvem o Natal.
As correntes mentais inqualificadas disseminam intranquilidades, mas são também um sopro de aragem higienizadora quando se aquietam e geram sentimentos de compaixão pelos infortúnios alheios. É então que mentes se desarmam e a paz se instala.
A véspera do Natal é o mais lindo dos dias, e não apenas para a humanidade cristã. Porque tem a sublime magia de serenar os povos de toda a Terra pelas elevadas vibrações que irradia para todos os lugares. O espírito do Mestre, onde quer que se encontre nas paragens celestiais, rejubila-se de forma especial nessa noite, não pela homenagem que os homens lhe prestam, mas pela harmonia que ele vê envolver todos os corações e mentes.
Aqueles que sofrem nos hospitais, nas prisões, na redoma das privações e das sentidas ausências também auferem de alguma forma de consolo, pelas emanações de amor e doação que pairam no ar em ocasiões como esta.
Nostalgias também rondam o Natal, mas de qualquer modo elas são sentimentos puros e doces memórias de momentos vividos. Mesmo as saudades, muitas vezes banhadas pelas lágrimas, são intensas de pureza porque brotam do profundo do ser. Então, nesses momentos a face da Terra se cobre de um manto de luz capaz de operar milagres de perdão, de dissipar rancores sedimentados e nos dar asas de liberdade para seguirmos a estrela guia que reluz com esplendor desde aquela noite memorável.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





