ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de dezembro de 2009
Dom Orlando Brandes 
Natal é convite para
adquirirmos os pensamentos e sentimentos, os critérios
e as atitudes de Jesus
1. Jesus se fez embrião. Eis o humanismo de Deus, como é exuberante a sua bondade. Se tivessem feito experiências com Jesus ainda embrião, Ele não teria nascido. Todo médico sabe que se alguém usasse sua célula-tronco embrionária para experimentos clínicos, ele não teria nascido. Natal é festa de uma gravidez que foi respeitada. Natal é festa da vida.
2. Jesus passou pelo perigo do aborto. A fidelidade de Maria salvou Jesus do abortamento. Segundo a lei de Israel, a mulher que engravidasse fora do casamento, deveria ser apedrejada. Maria aceitou ser apedrejada, não recorreu ao aborto para salvar a própria vida. A fidelidade e o amor de mãe salvam o filho. Não existimos por acaso ou por cálculo, mas por amor de Deus. ''Sou um milagre do amor.'' O amor me quis, eu existo.
3. Jesus foi filho adotivo. São José foi pai adotivo de Jesus. Pelo batismo somos adotados como filhos e filhas de Deus. Como é extraordinário, nobre, digno todo ato de adoção. Com este gesto a esterilidade torna-se fecunda. Jesus vem ao mundo por obra do Espírito Santo. O útero é lugar da descida do Espírito. Jesus não é gerado pela mediação masculina, pela virilidade, pelo poder do homem. Toda atitude machista é injusta, discriminatória, opressora.
4. Jesus cresceu no cotidiano. Os mestres de Jesus foram os seus pais, a família, o trabalho, as Escrituras e o cotidiano. Ele não só se encarnou mas se inculturou. Jesus fugiu do estrelismo, do extraordinário, da magia. Escolheu o cotidiano para se humanizar, crescer e amadurecer. Viver o ordinário do cotidiano é o segredo da maturidade e do crescimento. É hora de renascer no cotidiano para evitar a rotina.
5. Natal, é a festa do Menino Jesus. Nada a ver com Papai Noel, hoje desvinculado de sua origem religiosa. O Menino vem pela porta da pobreza, da simplicidade, da fraqueza. Deus desceu até a estrebaria e desce até aos abismos e de lá nos retira. Um dia descerá à mansão dos mortos. O pobrezinho de Belém nos ensina a não acumular, não desperdiçar, mas viver com sobriedade sob a guia do espírito da dádiva. Natal é festa religiosa para encantar as crianças e a todos nós por Jesus. Vamos recomeçar a partir de Cristo Jesus.
6. As personagens do Natal. Maria, meditava tudo em seu coração. A meditação o silêncio, o encontro com Deus é o centro do Natal. Meditar faz bem à saúde. Andamos muito dissipados, distraídos, entulhados, invadidos e desgastados. É hora de parar. José, ao lado da esposa e com o menino no colo é ícone do pai participativo e presente em casa. Os pastores vão até Belém. É preciso sair, ir ao encontro, deixar a rotina e o comodismo. Os magos abandonam a magia, os horóscopos e seguem Jesus verdadeiro caminho e luz sem ocaso. Os anjos anunciam a glória de Deus e a paz na terra. Imitemos os personagens do Natal.
7. Os símbolos do Natal. A árvore, lembra a árvore da vida no paraíso, a árvore da cruz e a árvore genealógica. Árvore com raiz e frutos, não apenas com enfeites. Os cartões recordam as Escrituras Sagradas onde está a mensagem amorosa de Deus. Como é saudável e necessária a comunicação. A luz é Jesus. Brilhem nossas boas obras. Enfim, os presentes. Acolhamos o maior presente que é Jesus e demos a Ele nossos pecados como presente de Natal.
8. Natal é a encarnação de Deus. Encontramos o rosto do Pai na carne de Jesus, depois o encontramos na carne do pobre, do preso, do doente. Não podemos ter uma fé desencarnada, alienada, intimista. Ver Jesus na carne do próximo. Viver como Jesus, ser como Jesus e permanecer em Jesus é o caminho da fraternidade. Jesus é o nosso verdadeiro eu, nossa segunda natureza.
9. Natal não é feriadão. É mistério revelado: o Criador se fez criatura; O Espírito se fez carne; o Poderoso se fez criança; o Divino se fez homem; o Senhor se fez fragilidade e pobreza. ''Cesse a razão e fale o coração'' (S. Ambrósio).
10. Jesus depois do Natal. Jesus merece ser conhecido profundamente, amado ardentemente, seguido generosamente. Natal é convite para adquirirmos os pensamentos e sentimentos, os critérios e as atitudes de Jesus. Ele é a maior fascinação da humanidade. ''Senhor em ti respiro e por ti suspiro.'' Sede bem-vindo Jesus. Em Ti creio, espero e amo. Natal é amabilidade de Deus. Deixemo-nos amar.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


