ESPAÇO ABERTO
A eterna crise da Saúde
Luís A. C. Abumussi
Agora que a crise na Saúde de Londrina passou é tempo para reflexão. Falar em crise na saúde pública pode parecer redundância, mas não é. Acredito sim, ser possível um sistema de saúde, nos moldes do SUS, que ofereça à população respostas adequadas e satisfatórias às suas necessidades. Mas, para isso, é preciso que haja ''compromisso dos gestores locais do sistema para com esse objetivo''.
Quem são os ''gestores locais do sistema''? Todos que ocupam cargo de coordenação no gerenciamento do sistema, desde os chefes das unidades mais simples até o chefe hierarquicamente mais graduado, ou seja, o secretário Municipal de Saúde.
Mas não são somente esses os gestores do sistema. Também atuam nessa área, a nível local, como gestores, os agentes políticos municipais, começando pelo prefeito, que indica o secretário de Saúde e, com ele, define as prioridades de sua gestão, passa pelos vereadores e a Câmara Municipal, pelos representantes do Ministério Público, chegando até os integrantes dos conselhos municipais de Saúde, todos, teoricamente, representantes da sociedade nesse sistema.
E, por ''compromisso'', o que podemos entender? Compromisso é a qualidade do comprometido. E ''comprometido'' é todo aquele que é atingido ou afetado pelo compromisso. Quantos desses gestores do nosso sistema de saúde são realmente comprometidos com o SUS? Quantos deles necessitam e se utilizam do SUS para solução de seus problemas de saúde? Quantos deles são atingidos quando o SUS não funciona?
Arrisco crer que, na sua grande maioria, senão na sua totalidade, nossos gestores têm assistência privada e, por isso, não necessitam e não se utilizam do SUS para solução de seus problemas de saúde. Ou seja, se essa crença é verdadeira, não são eles, os gestores, atingidos, ou mesmo afetados, pelo caos que, embora passada a crise, encontra-se a saúde pública de Londrina.
Em suma, aos nossos gestores, falta-lhes o compromisso!
LUÍS ALBERTO CASADEI ABUMUSSI é médico psiquiatra em Londrina
As amarras do condicionamento
Walmor Macarini
É uma visão estreita imaginar que nossa vida se resume em nascer, viver, morrer e ir para lugares como céu, inferno ou purgatório, e que não há mais nada além da Terra e dessas estâncias. Segundo esse entendimento, toda a inimaginável vastidão do universo e sua incalculável quantidade de galáxias e seus quintilhões de astros foram criados apenas para deleite do olhar humano, e sem ninguém habitando-os. E mais, que entre um e outro corpo celeste existem apenas grandes vazios.
Tudo evolui, desde a forma física dos humanos, dos animais, das plantas, das muitas coisas ditas inanimadas, mas pelo curto pensar de grande parte das pessoas a vida terrena é limitada a esses poucos anos aqui vividos e que nada mais nos ocorrerá senão o destino do gozo paradisíaco ou da ardência em fogo eterno. Por essa perspectiva o ser humano - guiado na maior parte pelas religiões - limita a sabedoria da Criação e apequena o projeto divino.
A imensa maioria da humanidade prepara-se apenas para viver a vida terrena e aperfeiçoa seus conhecimentos nessa direção. Nesse meio há uma considerável soma de pessoas que têm como meta situar-se bem financeiramente e gozar a vida, o que é um anseio legítimo e aceito, mas não apenas com o sentido utilitarista. A religiosidade, embora necessária para manter acesa a crença em algo superior e na continuidade da vida depois desta, induz à ideia de um céu de ociosidade (para quem for merecedor dele) e sem mais nenhuma tarefa para o ser vivente, e por outro lado acena para castigos cruéis e eternos aos desafortunados, mas oferece pouco ensinamento para o alcance da espiritualidade. E esta é que levará à busca e ao encontro das verdades.
Mais um pouco e as explosões das consciências começarão a pipocar, e como as mentes e as essências individuais da maioria não foram sendo instruídas gradativamente, muitos rodopiarão no entrechoque das correntes do obscurantismo e da claridade, como de alguém surpreendido por um vendaval. Os vigorosos potenciais de energia que começam a cair como chuva cósmica causarão grandes perturbações nas mentes adormecidas e presas ao condicionamento a que vieram se submetendo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





