ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Claudio Espiga 
O Conselho Comunitário de Segurança de Londrina há 28 anos luta por melhorias na Segurança. Já conseguiu algumas vitórias, mas as necessidades são muito maiores.
Há alguns anos estamos acompanhando a quantidade de pessoas que tiveram mortes violentas. É o único crime que é possível de ser acompanhado, porque os números dos outros crimes não são confiáveis.
Em julho tivemos uma reunião com algumas lideranças empresariais e com o comando da Polícia Militar de Londrina. Até junho já tínhamos 48 mortes violentas e, mantendo a média mensal, sinalizava que chegaríamos a 96 até o final deste ano.
Naquela reunião propúnhamos uma movimentação igual ao ''Chega de Luto'', de julho de 2007, para ver se aumentávamos o efetivo da Polícia Militar.
Fomos tachados de alarmistas por uns e de querer espantar os visitantes por outros. Em outubro já tínhamos 99 mortes violentas e ao final de novembro atingimos 112 mortes.
E agora, em dezembro, já passamos de 120 mortes e os jornais anunciam que agora vai ser intensificado o policiamento ostensivo em alguns bairros da cidade.
Nós não somos especialistas em segurança, mas a intensificação do policiamento é o que cobramos há vários anos, qualquer leigo sabe que isto resolverá o problema. Da mesma forma que o médico para a saúde e o professor para a educação.
E por que só em alguns bairros? De novo vai ser coberto o ombro, descobrindo os pés. Como sempre, os poucos e bravos policiais militares e civis deverão se desdobrar em dez para atender às ocorrências.
Então, se a intensificação do policiamento é, e era, a solução, à maneira do escritor francês Émile Zola, do século 19: ''Meu dever é de falar, de protestar, não quero ser cúmplice. Minhas noites seriam atormentadas pelo espectro dos que morrem e dos que sentem medo'' - trecho da carta de Zola, ''J'acccuse'' (Acuso) na qual acusava o governo francês de antissemitismo por julgar e condenar precipitadamente o capitão Alfred Dreyfus, judeu e oficial do exército francês, por traição em 1894.
Como Zola, eu acuso os responsáveis pela Segurança Pública no Paraná: por não tomarem as medidas corretas quando elas são necessárias; por essas mortes e pelas que ainda virão; pelo medo dos moradores de todas as regiões de Londrina; por permitirem que quadrilhas imponham sua violência nos bairros das zonas Norte e Oeste; por permitirem o aumento do consumo de drogas que alicia crianças; por não terem humildade de vir conversar com a população e reconhecerem sua incapacidade; por abandonarem a segunda maior cidade do Paraná.
Eu não me conformo em ver que Londrina está se transformando numa cidade como o Rio de Janeiro, e exatamente pelos mesmos motivos: políticos irresponsáveis e/ou incompetentes. Por isso, conclamo a todos os londrinenses: deixemos de ser o sapo que se acostuma com a água fervente.
Não podemos aceitar as manchetes ao final do ano com a contagem desse nosso infeliz recorde. Os marginais já estão pisando no nosso jardim. Por sermos pacatos eles estão achando que não temos coragem.
Vamos reagir! Não podemos aceitar mais nenhuma vítima de assalto, de morte, de tóxico. Não podemos viver com medo dentro dos condomínios, atrás das correntes; de parar nos semáforos; de caminhar após escurecer.
Temos que sair dessas trevas para a luz! Temos que construir uma Londrina nova. Uma Londrina melhor, em que os homens estarão acima da inércia, do ódio e da violência.
CLAUDIO ESPIGA é engenheiro civil em Londrina


