Arco-Norte: novo futuro para Londrina
Gilson Jacob Bergoc


O desenvolvimento de uma região tem basicamente dois vetores fundamentais: o primeiro é o capital social e o segundo é a capacidade da sociedade empreender projetos que promovam a melhoria das condições de vida para a sua comunidade. Por isso, observamos no mundo lugares que possuem grandes recursos e riquezas naturais, cuja sociedade tem baixo desenvolvimento humano, e outros lugares com poucos recursos, mas com alto desenvolvimento humano.
No ''Seminário Internacional Londrina 75 anos'' realizado recentemente, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, declarou: ''O que se quer para daqui 10, 50, 100 anos tem que ser pensado hoje e as mudanças só acontecerão se a sociedade se organizar, se estabelecer, participar!''.
O economista e diretor do Bradesco, Octávio de Barros, revelou que ''o cenário nacional e internacional é extremamente favorável ao Brasil e que a comunidade internacional está esperando pelos projetos que o país vai apresentar para financiá-los''.
Nada mais oportuno, no bom sentido, para Londrina apresentar seus projetos. A declaração de utilidade pública da área que deverá compor o sítio aeroportuário e adjacências do projeto Arco-Norte é um fato significativo para propiciar à nossa região - dos pés-vermelhos - um outro patamar de desenvolvimento. Sem dúvida um momento histórico, protagonizado pelo prefeito Barbosa Neto que demonstrou ter consciência do seu tempo, papel e do futuro que nos reserva.
Nos debates públicos do Plano Diretor Participativo de Londrina foi sempre abordada a necessidade de Londrina abraçar esse projeto, engendrado no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL) entre 2005-06. O problema era claro: Londrina tem que ter um projeto que possibilite novas oportunidades à grande massa intelectual que vem sendo formada nas universidades da região e que agregue toda a sociedade em empreendimentos inovadores, promovendo o desenvolvimento sustentável para toda a região.
É preciso ''pensar grande'', repetia o ex-diretor de Planejamento do IPPUL Luiz Figueira de Mello, ao final das apresentações. Nos debates específicos sobre o Arco-Norte houve boa receptividade, mostrando que o caminho estava correto. Gerar emprego e renda e promover a recuperação ambiental são diferenciais de qualidade sem precedentes, possíveis com um projeto dessa magnitude. Os trabalhos socioambientais da Itaipu Binacional fortalecem a certeza da possibilidade de realizar um sonho dessa envergadura.
As cidades e regiões que têm melhorado sua qualidade de vida são aquelas que, capazes de aproveitar seus recursos humanos, qualificam seu espaço, produzem a infraestrutura e os equipamentos necessários para colocar seus produtos para o mundo. Um dos equipamentos que possibilitam fazer a diferença atualmente é o aeroporto de cargas. No estudo ''Cidade aeroporto ou aeroporto-cidade?'' (Brandão e Faria, 2006) observa-se essa importância. Segundo esses especialistas, é possível gerar de 20 mil a 45 mil empregos diretos. Isso se o projeto for muito bem pensado desde já.
Assim, está de parabéns o prefeito que ousou acreditar nesse futuro. Fico orgulhoso por ter participado desse projeto desde seu início. Desejo muito sucesso a todos e que possamos participar concretamente da construção desse novo futuro, com qualidade de vida e ambientalmente sustentável.
GILSON JACOB BERGOC é arquiteto e urbanista em Londrina

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