ESPAÇO ABERTO
Nova teoria malthusiana
Renato Bertin
Sempre haverá tentativas de relacionar a falta de alimentos com o crescimento populacional. No século XIX, o economista inglês Thomas Malthus, pastor acreditava numa visão determinista: a pobreza e o sofrimento era o destino da grande maioria das pessoas. Para Malthus, a população crescia em ritmo geométrico e a produção de alimentos, aritmeticamente. Agora o Fundo de População das Nações Unidas afirma que um crescimento populacional maior agravará o aquecimento global. Parece mais uma tentativa de penalizar os pobres. Porém, o fator positivo nesse estudo indica que um maior acesso à educação e saúde junto aos métodos contraceptivos diminuirá o número de filhos. O que é confirmado pela Conferência Internacional sobre População em Desenvolvimento, realizada no Egito em 1994. Malthus defendia o controle da natalidade, através do celibato, do casamento cada vez mais tardio e da quantidade de filhos que se pudesse sustentar.
Os neomalthusianos acreditam que a solução está na implantação de políticas oficiais de controle de natalidade mediante o emprego de pílulas anticoncepcionais, abortos, amarramento das trompas, vasectomia, etc. Apesar de vários países terem adotado essas medidas, a situação de fome e miséria continua existindo. Os neomalthusianos sempre esquecem que houve aumento de produção de alimentos devido aos avanços na tecnologia e na medicina nos últimos dois séculos. O que acontece é que os recursos não são distribuídos eficazmente, culpa das más gestões políticas num mundo cada vez mais complexo e desequilibrado. Enquanto existir uma minoria que se apodera e controla a maior parte dos recursos, o mundo corre perigo.
Nos primeiros anos do século XXI, a produção agropecuária mundial era suficiente para alimentar cerca de 9 bilhões de pessoas, enquanto a população do planeta era pouco superior a 6 bilhões. Esse desequilíbrio se deve ao princípio que privilegia o lucro selvagem ao invés de se adotar como princípio único universal: o bem-estar do ser humano.
RENATO COLBERT BERTIN é padre em Rolândia
Quem pagará a conta do apagão?
Valter Orsi
Apagão, blecaute. Independentemente do nome que se dê à escuridão que tomou conta de várias cidades em 18 Estados brasileiros, o fato é que o governo continua brincando com coisa séria. Nos últimos anos houve outros três grandes apagões. Em 1985 atingiu 9 Estados; em 1999 foram afetados dez e em 2002 o apagão foi verificado em 10 Estados. Nos últimos dias ouvimos as mais esdrúxulas explicações sobre o que motivou o apagão ocorrido na noite do dia 10 e madrugada do dia 11 e que durou 5h47 deixando sem energia elétrica 88 milhões de pessoas. Só faltou o presidente Lula dizer que o apagão foi uma marolinha.
Percebemos que, mais uma vez, uma situação grave de infraestrutura está sendo tratada com o tom nada sério da política. O próprio Senado convocou uma entidade esotérica, o Instituto Cacique Cobra Coral, que diz prever ocorrências e tragédias relacionadas a eventos meteorológicos, com base em informações de espíritos, para explicar o apagão. Como podemos crescer e nos tornar um país desenvolvido, com justiça social, se tratamos os problemas sérios de forma nada séria? A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou recentemente um relatório mostrando que até 2013 o Brasil poderá contar com uma expansão de no máximo 3% da capacidade de geração de energia por ano. É quase nada para um país que deseja crescer 5% no ano que vem.
O apagão trouxe prejuízos generalizados. Muitas pessoas tiveram eletrodomésticos danificados por causa do incidente. Isso sem contar o prejuízo causado para as empresas. São milhões e milhões de reais que foram para o ralo. Quando as máquinas ficam quatro, cinco, seis horas paradas por falta de energia, o prejuízo é irreversível e segue em cascata. Este blackout parou as máquinas, com isso não se teve produção, mas a folha de pagamento é a mesma, os custos fixos das indústrias são os mesmos. Por isto queremos que o governo apresente as causas e as soluções que serão implementadas para que o país volte a ter credibilidade aqui e lá fora.
VALTER ORSI é presidente do Sindimetal Londrina
- Os artigos devem ter, no máximo, 60 linhas e mínimo de 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





