ESPAÇO ABERTO
A hora da verdade
Wilmar Marçal
As eleições de 2010, sobretudo para a escolha do novo presidente da República, serão oportunas para o real e verdadeiro esclarecimento sobre a situação da reforma agrária no Brasil. Nunca na história desse país se investiu tanto dinheiro público nos movimentos organizados dos assentamentos rurais. A mídia vem mostrando as violentas e inescrupulosas ações do movimento rubro, os conhecidos sem-terra. Nasceram com um propósito inclusivo, mas ao longo dos anos se tornaram um destacamento paramentado ameaçador. Tornou-se rotina os episódios violentos onde a algazarra e a destruição de patrimônios públicos e privados são celebradas dizimando-se extensas lavouras produtivas, matança cruel do gado, além de irreversíveis assoreamentos em importantes mananciais hídricos, sejam lagos ou rios. Um abominado ritual do mal.
E o pior é que novas gerações estão sendo formadas com pseudofundamentalismo social, criando-se mais pessoas alienadas que acreditam ser os produtores rurais uma classe de burgueses. Por isso, está na hora de uma reação popular, envolvendo toda a sociedade interessada em trabalhar com paz. O que de fato o governo federal vai argumentar sobre essa polêmica nas próximas eleições? Vai abrir as gavetas e os arquivos e mostrar os recursos públicos que vêm mantendo esse parasitismo voraz e impiedoso? Vai permitir uma CPI transparente, sem prevaricação de informações? Vai concordar e autorizar que as poderosas emissoras mostrem as imagens devastadoras das destruições?
Esse movimento vermelho de ódio tornou-se poderoso porque tem dinheiro fácil; perigoso porque detém poderosas armas e munições; imune porque não tem personalidade jurídica; desafiador porque sabe que há governantes omissos que, para se preservarem com boa imagem e se manterem como padrinhos políticos, não permitem que a polícia desocupem as áreas invadidas e promovam as reintegrações de posses. Sob a falsa retórica de inclusão dos pobres vão se locupletando e promovendo o que mais gostam: a anarquia.
WILMAR MARÇAL é reitor da Universidade Estadual de Londrina
Uma nova ciência religiosa
Walmor Macarini
As religiões, os livros sagrados e os ensinamentos de iluminados mestres das mais longínquas eras foram a fórmula de manter acesa a crença da humanidade num poder superior. Todas essas doutrinas não foram muito além do nível de entendimento das pessoas porque saltos abruptos tumultuariam suas consciências veladas. Mas é chegado o momento dos avanços previstos para a atual idade do mundo e de abrir os canais para as revelações novas que estão chegando.
Existem em profusão os fanáticos religiosos e outras tantas emanações densas, e estas poluem a atmosfera e dificultam a entrada da luz do entendimento. No âmbito dos sistemas de crenças muitos vão alcançando o aprendizado por uma gradual e serena evolução; há os que nada pensam e são induzidos; outros precisam de pregadores que gritam; e grande parte só se toca pela promessa de recompensas divinas e pela advertência sobre demônios e ameaças de castigos infernais. Porque estas são as linguagens que entendem. Cada qual segundo o seu grau de consciência. Mas é preciso evoluir das condições de passividade e obscuridade.
Alguns pregadores, nos grandes auditórios e na televisão, recitam versículos e clamam por contribuição financeira. Nem contra estes temos que reagir, porque é da responsabilidade deles o que fazem. Se alguma coisa boa semeiam, gerarão frutos; se não, estarão se valendo de um rendoso negócio. A cada um de nós é dada a oportunidade de semear bons ensinamentos. Se eles forem consistentes, serão como a semente que germina e floresce; se forem ruins, se diluirão por si mesmos como a poeira levada pelo vento.
As religiões têm possibilitado avanços, mas é preciso que os fiéis sejam livres, sem freios e sem limitações. Uma igreja não pode ser ditatorial e corporativista, mas portar-se como uma universidade aberta que possibilite a busca sobre tudo o que se deseja saber. Porque só pelo conhecimento se chegará à verdade, à liberdade e à evolução. Toda a prática religiosa tem de conduzir ao progresso espiritual. Esta é a senha que possibilitará ir avançando no rumo das dimensões mais elevadas.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





