O patrimônio histórico e cultural tem sido tema recorrente nos últimos anos em Londrina. Apesar de ser uma cidade nova, com 75 anos, a temática é constantemente retomada pela população. Alguns exemplos podem ser citados: a cidade se mobilizou quando, em 2004, foi lançado concurso nacional para a construção do Memorial do Pioneiro, a ser construído anexo ao Museu Histórico Padre Carlos Weiss. Após algumas audiências públicas, o projeto foi refeito e, após avaliação dos conselhos municipais de cultura e de turismo, foi erguido o memorial entre a Concha Acústica, inaugurada em 1956, e a Secretaria Municipal de Cultura, construída entre 1953 e 1954 para abrigar a Casa da Criança (inaugurada em 1955). Estes espaços são fundamentais para a constituição de uma identidade londrinense, sendo considerados patrimônios da cidade.
Demonstrando a diversidade étnica de Londrina e contrariando aqueles que querem fazer do município uma ''capital londrina'', assistimos à construção da ''Praça da Imigração Japonesa Tomi Nakagawa'' como parte das comemorações do IMIN 100. Esta construção intensificou a mobilização daqueles que desejavam a restauração da Praça Rocha Pombo, tombada pelo Departamento de Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná. A praça, que fica entre o Museu de Arte de Londrina, antiga rodoviária, também tombado, e o Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss, configura-se como elemento integrador dos dois espaços.
Mais recentemente, a cidade assistiu a um debate sobre a reforma do Calçadão, mais especificamente sobre a troca do piso petit pavet. O tema é importante à medida que o Calçadão, implantado em 1977, pode ser considerado um dos espaços mais vivos e democráticos da cidade, constituindo-se como um marco paisagístico e um local que favorece as trocas de experiências e o fortalecimento de elementos identificáveis intangíveis.
Outro debate importante é o projeto ''Cidade Limpa'' que, entre outros objetivos, regulamenta a publicidade junto a prédios e locais públicos. Isso favorecerá a visibilidade e a convivência do londrinense com seu patrimônio arquitetônico, paisagístico e natural. Ainda vemos uma mobilização que tem como foco a rua Sergipe, uma das ruas de comércio mais antigas da cidade, que mantém ofícios e estabelecimentos comerciais há décadas, além de possuir exemplos da arquitetura ''art decó'' e dois prédios fundamentais para nossa história recente: o cadeião e a antiga rodoviária.
Londrina conta ainda com importantes pesquisadores na área, como os vinculados aos museus de arte e histórico, os membros do Inventário e Proteção ao Acervo Cultural de Londrina - IPAC e a equipe do Projeto Educação Patrimonial, financiado pelo Promic, além de personalidades como o arquiteto Humberto Yamaki e a diretora de Patrimônio, Vanda de Moraes. Vale lembrar que está em discussão a Lei de Preservação do Patrimônio Cultural do Município de Londrina, a Lei do Patrimônio, que envolveu a comunidade em audiências e debates e que deve ser votada em breve.
Todo este movimento nos leva a questionar a ideia de que patrimônio é algo para cidades antigas, as chamadas ''cidades históricas'', como se as demais não o fossem. Cidades novas têm patrimônio que deve ser discutido, valorizado e preservado. É neste sentido que ocorreu, no mês de outubro, o II Encontro Cidades Novas, evento realizado na UniFil e que teve patrocínio do Promic, contando com participantes de diversas partes do Brasil.
Ações como as já citadas e eventos como esse demonstram como Londrina é uma cidade com memórias, que valoriza suas identidades, suas manifestações e seus conflitos, e que está apta a debater o seu patrimônio, pois não basta tombar um prédio histórico ou uma manifestação, é necessário que este seja considerado e identificado pela população, pois só assim haverá salvaguarda e preservação. E neste sentido, Londrina está de parabéns.
LEANDRO HENRIQUE MAGALHÃES é professor no Centro Universitário Filadélfia de Londrina (Unifil)

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