ESPAÇO ABERTO
O que faz um agente penitenciário
Ademildo Passos Correia
Após a morte de mais um agente penitenciário em Londrina, o secretário de Justiça e Cidadania do Paraná, Jair Ramos Braga, afirmou: Era cachaça mesmo! Vincular a morte do agente Walter Giovani de Brito, 26 anos, às questões de segurança pública seria admitir que o problema existe não só em Londrina, mas em todo o Estado. Por isso, talvez, fosse melhor tê-lo como bêbado.
Nosso amigo, definitivamente, não era um bêbado. O trabalho dele dentro da penitenciária garantia a todos os cidadãos de bem um sono mais tranquilo. Era um garoto bom cuidando de gente ruim, assim como a maioria dos agentes penitenciários do Estado: mão de obra qualificada para um trabalho tão ignóbil; homens de caráter que garantem o direito àqueles que não respeitam as leis e a vida, bem mais precioso de todos.
Aqueles que já foram vítimas de qualquer espécie de crime ou tiveram como vítimas familiares ou amigos podem imaginar a complexidade do trabalho dos agentes penitenciários. Lidar diariamente com criminosos é realizar um importante serviço público e de alto risco; é salvaguardar a sociedade e seu bem-estar torna-se um referencial.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), esta é a segunda profissão mais estressante do mundo, perdendo apenas para quem trabalha em minas subterrâneas. Ameaça-nos a paz, o sossego, o reconhecimento profissional e após o apagar da última lâmpada tentam nos tirar a própria honra. É interessante o fato de o sistema penitenciário apresentar por escopo o intuito de ressocializar, enquanto alguns de nós, ressocializadores, se afastam cada vez mais do contexto social por circunstâncias alheias à própria vontade. Em caminho tão íngreme alguns se desviam. Não obstante, a maior parte persiste tentando fazer funcionar um sistema que ainda tem muito a melhorar e progredir. Se a nós compete esta inquietude inerente à função, que tenhamos ao menos uma parcela mínima de reconhecimento.
ADEMILDO PASSOS CORREIA é secretário-geral do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná
Nenhum fim de mundo em 2012
Walmor Macarini
Os maias não disseram em suas profecias que o mundo vai acabar em 2012, nem em qualquer tempo. Tudo o que hoje é dito sobre uma tal catástrofe é imaginação de cineastas e escritores. Pelo menos três filmes rodam por aí e mais de duas centenas de livros e textos na internet falam daquele final trágico - um apelo que alenta o fascínio e o apetite das massas e serve à causa de ganhar dinheiro.
O calendário maia diz que em 2012 se completa mais um ciclo de 26 mil anos representado pelo tempo de giro do nosso sistema solar ao redor da zona cósmica que compõe as doze casas do zodíaco. As revoluções do mecanismo celestial sempre interferem nas correntes eletromagnéticas e causam alterações nas consciências humanas, com reflexos também sobre a natureza. O que haverá daqui a três anos (a data focal é 21 de dezembro) será o fim de um tempo e começo de outro. Ninguém perceberá nada.
A civilização maia habitava a região da hoje América Central e dentre essa comunidade despontavam consciências elevadas e com grande conhecimento acerca do transcendente. Imagina-se que outrora esses maias tenham sido habitantes da Atlântida e que (em meio de avançados tecnicistas) formavam uma legião à parte de iluminados seres do continente que submergiu nas águas oceânicas. O relevante da revelação dos maias (embora eles tenham previsto o aquecimento global, que já começou a acontecer) não é o catastrofismo que a fantasia humana ressalta em seus devaneios por via de escritos, sons e fantásticas imagens do cinema, e sim o indicativo do início de uma nova cosmovisão, por via da expansão da consciência de humanidade.
Para alento da comunidade mundial desperta, também está ocorrendo paralelamente um derramar de luzes anunciando o alvorecer de um novo conhecimento humano, mesmo que ainda envolto por muita turbulência e tragédias, motivadas pelo entrechoque do obscurantismo vigorante com as correntes transformadoras. No decorrer deste milênio uma nova e luminosa ordem se instalará, pelo florescimento de uma progressiva elevação do nível espiritual da humanidade.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





