ESPAÇO ABERTO
Sociedade do não me toques e o dano moral
José Ricardo Alvarez Vianna
Entende-se por dano moral o sentimento de dor, angústia, desgosto, aflição, insegurança, enfim emoções adversas que abalam o psicológico do indivíduo. Longo foi o caminho para os tribunais admitirem essa espécie de indenização, hoje prevista tanto na Constituição Federal, como no Código Civil. Todavia, observa-se um excesso nos pedidos de indenização por danos morais. Não raramente estes se encontram formulados em ações de assinatura básica de linhas telefônicas, revisões de contratos bancários, problemas com eletrodomésticos, acidentes de trânsito sem vítimas, etc. Isso, ao invés de fortalecer o instituto, acaba por enfraquecê-lo, a ponto de se falar na indústria dos danos morais. Cria-se, assim, uma sociedade do não me rele; não me toques, senão eu te processo, em cumprimento à famosa Lei do Gerson (de levar vantagem em tudo).
O Superior Tribunal de Justiça tem decidido que o mero receio ou dissabor não pode ser alçado ao patamar do dano moral, mas somente aquela agressão que exacerba a naturalidade dos fatos da vida. E mais: na Súmula 385, o mesmo STJ, assentou: Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.
Não se sustenta, aqui, a negação da indenização ao dano moral. Ao contrário, presentes os requisitos específicos, impõe-se a condenação do agente causador do dano, atenuando o sofrimento da vítima e reprimindo o ofensor, de maneira pedagógico-preventiva, evitando fatos similares no futuro. Por fim, cabe alertar que o exercício irregular de um direito pode caracterizar abuso de direito, vedado pelo art. 187, do Código Civil, e passível de indenização. Assim, não se descarta a possibilidade da parte pleitear em juízo aleatoriamente danos morais e, ao final, restar condenada a pagar indenização por abuso de direito, se configurado este e requerido pela parte contrária pela via própria.
JOSÉ RICARDO ALVAREZ VIANNA é professor na Escola da Magistratura e juiz de Direito da 8ªVara Cível de Londrina
Em constante processo evolutivo
Walmor Macarini
As coisas são como são e não ocorrem por acaso. As complicações mais problemáticas são para que aprendamos a domá-las. Porque este lugar de nossa vivência terrena é um campo de missão e de provas. O homem navega pelo mar das leis cósmicas, mas é detentor do livre-arbítrio. Não tem que ter medo, porque o universo é um processo que se rege por uma consciência sábia. Essa é a superconsciência que denominamos Deus e que não age por emoção, mas por um princípio inteligente de causa e consequência. Isto caracteriza a lei divina e se opera pela dinâmica da evolução, que quer dizer o mérito. O universo é regido por hierarquias e estas trilham pelos caminhos do contínuo desenvolvimento.
Tudo se traduz por energia em movimento e em constante transformação evolucionária. Nem se pode fixar um ponto final nessa jornada, porque isso seria estabelecer um limite. Cada ser vivo e cada coisa são partes do indecifrável mecanismo universal, integrando o Todo, o Grande Espírito. Não somos pequenos em nossa individualidade, da mesma forma que a gota no oceano não é pequena, já que compõe todo o conjunto das águas. Por escassez de palavras e de entendimento costuma-se situar o homem diante de Deus, mas essa condição não existe, já que ele O compõe. Da mesma forma que o ar não pode estar diante dele mesmo.
Quando se fala da prestação de contas que em dado momento teremos de fazer, isto será um acerto perante nós próprios. Temos ainda curta compreensão de tudo porque nesta tridimensionalidade terrena fomos velados para tantas coisas, por conveniência da missão. Por isso temos de buscar os caminhos de expansão da consciência sem a pretensão de desvendar os mistérios, porque isso ainda não está ao nosso alcance. Por via do desenvolvimento individual vamos compreender nosso compromisso coletivo, que abarca a humanidade e todas as coisas do planeta, com reflexos em todo o sistema solar e em nossa galáxia e além dela. Porque somos viajantes cósmicos e compomos o conjunto de habitantes dos céus e terras de toda a inimaginável vastidão universal.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





