Armas, drogas e mortes
Marcos Antonio Tordoro


O Brasil está mais violento e os índices de criminalidade crescem a cada dia. Armas e drogas são as principais causas das desgraças reportadas pela imprensa, sempre presente no momento em que os fatos se dão. Muitos jovens são mortos diariamente nas grandes, médias e até nas pequenas cidades. Não são raras as constatações de que em pequenos municípios há um grande número de usuários de drogas, especialmente, do crack.
O que fazer? O que está sendo feito ou já foi não está surtindo o efeito ideal. O usuário alimenta o tráfico, que impulsiona e realiza o tráfico de armas, interna e externamente, da mesma forma que maximiza os índices de criminalidade - roubo, furto, lesão corporal e, o pior, de homicídios - que, quando somados, traduzem o caos das políticas públicas elementares.
Os representantes do povo debatem e não ouvem os especialistas no assunto. Quando ouvem o fazem apenas por uma questão formal, dado que as realizações necessárias esbarram nos interesses de uma ou de outra facção político-partidária. Alguns falam em unificar as polícias civil e militar; outros em desmilitarizar; há ainda aqueles que entendem que a solução está na criação das guardas municipais, as quais têm um papel importante no contexto da segurança pública e devem ser incentivadas e incrementadas na sua conjuntura legal e funcional.
Ao invés de unificar ou desmilitarizar por que não valorizar, reconhecer, apoiar, ouvir e incentivar um trabalho conjugado entre as polícias e demais segmentos do poder público e privado? Nos Estados Unidos existem inúmeras polícias, mas não uma só em cada Estado. A nossa realidade é de viciados em drogas roubando, furtando e matando e de muita corrupção em todos os segmentos da sociedade. Urge que haja luta e combate franco contra a corrupção, nas fronteiras e dentro do País.
MARCOS ANTONIO TORDORO é comandante da 1 Companhia da Polícia Militar de Rolândia

Vender a alma
Manuel Joaquim R. dos Santos


O conceito ‘‘governabilidade’’ tem trazido contradições e desvios vários que prestam um enorme desserviço à democracia. O presidente Lula soltou dias atrás mais uma ‘‘pérola’’, alegando a necessidade de alianças espúrias ‘‘neste país’’ para se governar. Falou até em pseudoalianças bíblicas. Concordo com o presidente da CNBB de que Jesus nunca fez qualquer tipo de aliança com fariseus e muito menos acolheu as ideias equivocadas de um Judas, que desejava trilhar outros caminhos para a instauração do seu Reino.
O presidente, aportado que foi ao poder, imitou todos os defeitos de seus antecessores e acrescentou uma perversidade ‘‘nunca antes vista neste país’’ no relacionamento com o Congresso. Em sete anos conseguiu criar uma monarquia do Executivo e colocar em causa a legitimidade de um parlamento fragmentado por sucessivos escândalos. Aproveitando-se das mazelas internas do Legislativo, adentrou escandalosamente em suas portas, apoiando e execrando os que lhe convinham, sempre de olho em futuras composições ‘‘partidárias’’ que viabilizassem a perpetuação de seu projeto. O Judiciário sente-se incomodado por autênticas situações constrangedoras pré-eleitorais que são observadas em inaugurações e fiscalizações de obras com a pré-candidata a tiracolo. Constata-se uma provocação e um certo teste dos limites da lei.
O cinismo é o refúgio dos prepotentes que encontram numa plebe desinformada e alienada o suporte para suas acrobacias arrogantes e provocadoras. Soma-se a esse complô uma gama de cidadãos ‘‘que nunca antes ganharam tanto dinheiro’’! Nesse imbróglio pseudodemocrático do faz de conta vemos correr para o ralo as parcas esperanças que alimentávamos há anos quando esperávamos finalmente o novo que colocasse o Brasil no trilho da decência e da modernidade. Hoje a única preocupação é a perpetuação no poder!
MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS é padre em Porecatu

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