ESPAÇO ABERTO
A infância de hoje
Elsie Silva
As crianças hoje nascem tendo acesso ao computador, ao videogame, ao celular, à televisão. Esta nova realidade apresenta ganhos e perdas. Ganhos porque elas estão mais inteligentes, mais informadas, com maior capacidade de argumentação, são vaidosas e estão mais decididas e sabem fazer escolhas. Elas gostam de estar com a família frequentando shoppings e sabem se comportar em restaurantes. Há perdas porque os pais não estão em casa, a grande maioria trabalha fora. Entre os excessos cometidos pelas crianças está a exposição excessiva aos meios de comunicação. Pesquisa recente constatou que elas passam de cinco a seis horas por dia em frente à TV e ao computador. Isso em uma fase na qual elas ainda não possuem senso crítico para filtrarem o que estão assistindo e o que devem acessar na internet.
Nesta exposição à TV e à tela do computador praticamente não existe interação com outras pessoas da família, o que prejudica o relacionamento, o diálogo, o afeto. Os valores, ao invés de terem como exemplo os pais, acabam sendo formados a partir dessa excessiva exposição à mídia. A consequência são crianças que valorizam o consumo, criam imagens idealizadas de padrões corporais e de beleza e conceitos precoces e errôneos do relacionamento sexual. Outra consequência negativa são os distúrbios alimentares. De um lado temos a anorexia e a bulimia, do outro, a obesidade infantil que está aumentando a cada ano assim como o aumento de medicamentos administrados na infância, principalmente os que ajudam as crianças a serem mais adequadas na escola e em casa.
Estatísticas mostram que a depressão infantil aumentou significativamente, bem como a agressividade e a violência. Temos que agir contra os excessos, colocando limites, organizando o tempo dos nossos filhos, cuidando da rotina. É preciso saber que a criança precisa de carinho, segurança, compreensão e limites.
ELSIE SILVA é psicóloga em Londrina
Exorcizar doutrinando
Walmor Macarini
Se a busca do exorcismo aumenta no Paraná (conforme reportagem de terça-feira neste Jornal) é porque têm aumentado também as tribulações e assim as pessoas tornam-se mais fragilizadas e atraem as vibrações negativas, aí incluídos os denominados espíritos maus. Estes não são demônios, ao contrário do que acreditam os exorcizadores, mas almas em deploráveis condições. A doutrina kardecista dá o nome de possessão a esse fenômeno de assédio e invasão da mente e do corpo, e certas igrejas evangélicas o denominam encosto.
A igreja cristã dominante classifica essas almas obsessoras como entidades demoníacas e por isso realiza o ritual de expulsão. Outra facção evangélica também as qualifica de espíritos malignos e costuma fazer o exorcismo nas matas, à noite. Já a doutrina espírita, consciente de que se trata de nossos coirmãos errantes - alguns de aspecto horrendo (conforme a descrição de videntes), pelo sofrimento e pela sua involução espiritual - busca recuperá-los por via da doutrinação. Porque doutrinando-os pode regenerá-los, pois possibilita que eles aceitem (ou não) ser atendidos pelos socorristas do espaço que estão sempre presentes nessas sessões.
O exorcizado sob o rótulo de demônio pode ser afastado, mas se não é conscientizado acaba buscando outro corpo onde encostar-se. E se encontra idêntica frequência na pessoa à qual se acopla, causa-lhe grande mal, pela influência de sua nefasta densidade vibratória. O padre exorcizador citado na reportagem faz um trabalho meritório e liberta as pessoas, mas por classificar essas almas rudes e sofredoras como demônios, não gasta tempo em doutriná-las e assim é perdida a oportunidade de curar dois seres, aí incluído o obsessor.
Assustado pelas palavras fortes de expulsão, proferidas pelo exorcizador, ele vai embora mas, quando pode, se instala em outra pessoa, não por maldade mas por busca de amparo. A relevante distinção é que a doutrinação afasta esse ser invasivo por sua livre decisão e o coloca num caminho de evolução.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





