ESPAÇO ABERTO
O papel da mulher
Eliana Abdalla
A mulher brasileira ainda é portadora de uma visão romântica em relação ao amor. Esta noção romântica arraigada pode levá-la a adquirir irreais expectativas em relação ao parceiro, desembocando em crenças que podem levar ao fim do relacionamento afetivo. Nestes ideais adquiridos pelo aprendizado em tenra idade ou como herança de valores familiares, o amor é sonhado: um homem idealizado que a faria feliz em um relacionamento quase perfeito. O risco é que a mulher se veja como alguém que deve fazer sacrifícios além de suas possibilidades para merecer este homem. O que pode acontecer é que ela deixe de lado o seu poder e passe a ser para o outro e não com o outro, em um tipo de papel feminino arcaico para si mesma e para o parceiro.
Esta mulher pode sentir que muitas de suas atitudes foram vãs para o parceiro. Ela pode vir a se sentir magoada, frustrada e solitária, ao ponto de desejar o distanciamento e a ruptura do relacionamento. Essa ideia rígida de que o amor está fora e que só pode ser encontrado na figura do parceiro pode distanciar a mulher do investimento em seu próprio papel, separando-a da experiência de amar verdadeiramente. E como viver o amor de verdade? É necessário reformular o amor a partir de uma visão real onde pode-se acessar os mecanismos de intimidade, troca e cumplicidade que formam um bom relacionamento. Dentro de uma moldura que permite a negociação frente ao conflito e ao surreal instalado no relacionamento, o casal deve estar ciente até onde o outro está disposto a investir e que ambos podem conviver com estas percepções. A mulher que sabe o que precisa para estar bem consigo mesma, o que a faz se sentir bem e pode se colocar de maneira ajustada em um relacionamento estará livre para amar e ser amada. O amor pode, então, majestosamente ocupar o seu sublime e poderoso lugar nos relacionamentos.
ELIANA ABDALLA é psicóloga e consultora pessoal e empresarial em Curitiba
Homenagear os que se foram
Walmor Macarini
Costuma-se dizer que aqueles que se foram do nosso convívio terreno morreram, por isso os reverenciamos especialmente no dia 2 de novembro. Mas a verdade é que não existem mortos, e se oramos por eles é porque sabemos que estão vivos em outra dimensão. Saudade dessas pessoas queridas todos sentimos, porque as ausências naturalmente nos entristecem, mas se temos consciência de que a vida é uma continuidade, devemos orar por eles com sentimento de amor e não de perda. Porque eles sentem essas vibrações e se alegram se estamos alegres e sofrem se sofremos.
É natural que choremos se essa impulsão nos chega, mas sem trazê-los de volta com manifestações de clamor, porque é preciso que os deixemos em liberdade e os elevemos para a luz com nossos pensamentos. Porque eles cumpriram mais uma etapa e já não pertencem a este mundo. A melhor homenagem que podemos prestar-lhes é pela prece e sentimento de carinho, agradecendo por eles terem convivido conosco. Certamente os veremos de novo quando chegar o momento. A passagem desta fase da vida para outra necessita de caminhos abertos, por isso não devemos aprisionar com nossos apegos àqueles que transcenderam. Se os amamos, temos de permitir que se libertem plenamente de resíduos do liame carnal, sem nosso eventual inconformismo nos casos que qualificamos de morte prematura ou injusta. Há uma sublime sabedoria regendo todas as coisas e nada ocorre fora do tempo.
Visitar os cemitérios é da vontade de cada um, e isto tem de ser respeitado, mas podemos oferecer flores a estes ausentes temporários e dirigir-lhes nossas boas lembranças de qualquer lugar onde nos encontremos. Pode ser no ambiente da casa onde eles conviviam e em outros lugares onde se sentiam bem. Choros de saudade são inevitáveis (e isto é recíproco da parte deles), então melhor é nos conectarmos com eles emanando boas recordações, imaginando-os sempre em ascensão, porque é disto que precisam.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





