ESPAÇO ABERTO
Em busca da verdade
Renato Colbert Bertin
A fazenda Variante, em Florestópolis, foi invadida em 2008. Naquela ocasião recebi o líder dos sem-terra na região e disse-lhe que não admitia pregação marxista na minha paróquia. Os abusos do MST, infelizmente com o apoio de alguns religiosos, mostram a deterioração do movimento. Alguns padres continuam apoiando a orientação comuno-marxista. Embora louvável o esforço de trabalhar contra as injustiças, alguns transformaram-se em ativistas político-partidários. Esqueceram de alimentar sua vida espiritual com oração, pela meditação diária da Palavra de Deus. Esqueceram de fazer da Eucaristia uma alimento do espírito que transforma a vida, fazendo da missa uma arma política.
E agora o governo mostra sua cara, traindo os altos ideais que alguns membros da Igreja depositavam nesse partido. Exemplar também o recente episódio envolvendo um vereador londrinense. Andando com uma cruz no peito, dizendo-se apoiado por um movimento católico, a Igreja tem servido de trampolim para candidaturas. Isso ficou claro quando estive assessorando a Pastoral Fé e Política, em 2007, na Arquidiocese de Londrina. Todos os que desejam usar a Igreja como arma política são os mesmos que queriam que Jesus derrubasse o rei Herodes e ficasse em seu lugar. Não entenderam nada de sua mensagem: Meu Reino não é desse mundo.
A missão da Igreja é pregar a mensagem evangélica, transformando o espírito do homem, para que o homem transforme o mundo. O recente acordo Brasil-Vaticano recorda-nos o versículo evangélico: A verdade vos libertará. Não houve suficiente transparência e discussão pública para que os pontos polêmicos do acordo fossem esclarecidos. Torna-se necessário determinar aquilo que afeta os direitos e deveres do Vaticano com a República Federativa do Brasil. Tudo que prejudicar ou favorecer o senso de justiça nas relações com as demais religiões deve ser observado rigorosamente. A Igreja Católica não deve querer para si nada que configure um desrespeito aos direitos de outras entidades religiosas. É o mínimo que devemos fazer em busca da verdade.
RENATO COLBERT BERTIN é padre na paróquia Nossa Senhora Aparecida em Rolândia
O aspecto místico de Einstein
Walmor Macarini
Sempre que alguém relembra Albert Einstein (como faz agora a escritora Jess Brailler) refere-se apenas como o genial matemático e sua Teoria da Relatividade, sem ater-se a algo fundamental que foi o sentido místico e intuitivo que comandava seus pensamentos e buscas. Isto demonstra como passam despercebidos pela maior parte da humanidade aspectos da iluminação transcendente de certas pessoas, mesmo as que se tornaram conhecidas por feitos notáveis, como Einstein.
No livro, destinado aos adolescentes e cujo título é Quem foi Albert Einstein, Jess fala sobre a vida e a obra do cientista, mas passa ao largo de sua manifestada sabedoria espiritual e de seu foco para as respostas que recebia da própria intuição. Penso 99 vezes e nada descubro; então entro no silêncio e a verdade me é revelada, ele dizia.
Perguntava-se por que um matemático e metafísico como ele mencionava tanto Deus, enquanto seus colegas eram tão voltados para a materialidade. Lá estava um homem cujo corpo ainda se encontrava na Terra, mas a mente habitava as mais remotas plagas do Cosmo, escreveu o filósofo brasileiro Huberto Rhoden, que conviveu com o cientista na universidade norte-americana de Princeton. Para Einstein, a certeza intuitiva era anterior a qualquer prova. Isto incomodava seus parceiros.
Ele declarava que há uma única fonte e que ela se esparrama sobre nós se estivermos receptivos e em sintonia. Porque meditar não é pensar, mas esvaziar os canais de toda a substância oriunda dos nossos sentidos e colocar-se diante da plenitude da Fonte. Essa fonte, ele sabia que era a Suprema Sabedoria Divina. E citava-a com frequência, mas os teólogos de visão curta o consideravam um ateu pelo fato de ele conceber Deus não como punidor e capaz de irar-se e sim como um poder onipresente e onisciente que está no centro de todos os lugares e de todas as coisas. Deus, no seu entender, é toda a Realidade do Universo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





