ESPAÇO ABERTO
Professor: profissão em risco
Antonio Marcos Gonçalves e Luiz Carlos Paixão da Rocha
O falecimento da professora Suely Portes Zaperlão, no último dia 17 de setembro, chamou a atenção da sociedade, dos professores e funcionários da região de Londrina. Após um desentendimento com uma mãe de aluna da escola em que atuava (a professora havia recolhido um vidro de álcool gel da estudante), ela foi convocada para uma reunião no Núcleo Regional de Educação. Voltou para casa e no dia seguinte amanheceu morta. Os médicos declararam morte natural. A resposta médica não calou a alma machucada de milhares de educadores que viram na professora nossa imagem refletida no espelho.
A professora é mais uma vítima de um sistema de organização social que privilegia a competição, o individualismo, o lucro em detrimento da valorização do humano. É a lei do salve-se quem puder! É assustador o número de professores afastados da sala de aula pela exaustão profissional. Vários estudos apontam para um quadro de adoecimento dos educadores. As doenças de origem psicológica são as que mais afetam a categoria. O número de professores com depressão, com síndrome de burnout e com síndrome de pânico aumenta a cada dia.
O trabalho do educador, embora importante e gratificante, se tornou penoso. Infelizmente, a tensão passou a ser um dos componentes presentes no ato educativo. A exaustão emocional vai aos poucos destruindo o que de melhor nós temos: a esperança de construir um mundo melhor. A sociedade e o poder público precisam olhar com mais atenção a situação em que vivem os educadores. Nossos mestres precisam ser respeitados. Hoje, Dia do Professor, a Assembleia Legislativa realiza uma audiência pública para debater o tema.
ANTONIO MARCOS GONÇALVES e LUIZ CARLOS PAIXÃO DA ROCHA são, respectivamente, presidente do núcleo sindical da APP de Londrina e diretor estadual de imprensa da APP-Sindicato
Não por que mas para que
Walmor Macarini
Diante das coisas desagradáveis que nos acontecem não devemos perguntar por que, mas para que. Isto vale também para os inesperados momentos de alegria. Porque nada acontece por acaso. Dias atrás, em palestras que ouvi, foi ressaltada essa questão, e mesmo a repetida menção a isto não ocorre aleatoriamente. Em momentos de adversidade costumamos questionar com a primeira pergunta (a do por que), mas devemos saber que eventos tristes ocorrem para que algo melhor vá resultar disso ou para evitar coisa ainda pior na sequência, que nunca saberemos. A indagação por que só deve ser empregada para a busca, que é a salutar impulsão da curiosidade, mas nunca com o sentido de indignação e inconformismo.
São os acontecimentos e o nosso livre-arbítrio (uma dádiva, mas também um fardo) que regem nossa evolução nesta dimensão terrena. É comum ouvir-se pessoas fazerem a pergunta (por que?), muitas vezes até questionando Deus, ante tragédias e sofrimentos humanos. E ainda mais quando as vítimas são qualificadas de inocentes, embora ninguém se envolve em nada sem razão. Porque nossa existência não é apenas de agora.
A ocorrência de eventos negativos nunca é sem razão e no mínimo serve para despertamento e reordenamento de rumos. As dúvidas e as indagações estão presentes em todos os momentos, mas as consciências despertas encaram com mais clareza os acontecimentos tidos como maus, e mesmo que os suportem com dor quando eles ferem duramente os enfrentam com compreensão e sofrem menos. Não é necessário o sofrimento para a evolução espiritual, mas se ele ocorre, deve-se tirar proveito disso.
A marcha da ascensão é incessante e vamos trilhando também por caminhos estreitos e tortuosos. Porque esta dimensão em que estamos é um campo de provas. As negatividades que ocorrem neste planeta e que nos atingem são nossos carmas e mecanismos para o encontro das verdades e para nossa purificação. As amarguras pelas quais passamos são também investimentos.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





