ESPAÇO ABERTO
O importado é mais barato
Roberto Sotomaior Karam
A redução dos preços do aço no mercado internacional em comparação com o valor do insumo no Brasil vem mudando o perfil de compra dos clientes. A competição com o produto externo está tornando as importações mais vantajosas: o preço do aço no mercado nacional já é 35% superior ao preço internacional. E este valor deve aumentar. Relatório do banco Goldman Sachs informou que o preço do aço plano no Brasil deve subir de 5% a 10%. Para muitos setores que dependem desta commodity isto será um grande problema. Além de reduzir os descontos, as siderúrgicas não estão analisando que, se o aumento do valor deste metal ocorrer, irá estimular ainda mais a importação de manufaturados de aço.
Enquanto a bobina quente do aço custa US$ 920 por tonelada no Brasil, o produto importado de alguns países vale US$ 730. A alta surpreende os empresários, principalmente do setor metalmecânico, onde o uso do insumo pode chegar a 100% na produção. Este aumento será prejudicial para as empresas que estão com negociações em andamento, pois terão que realizar um acréscimo maior no valor do contrato.
Com o ápice da crise financeira o preço cobrado pelas usinas brasileiras foi protegido pela valorização do dólar, que chegou a quase R$ 3,00, inibindo a entrada de aço estrangeiro. Agora com a volta da apreciação do real, as companhias brasileiras ficarão expostas à competição externa. Dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia mostram que as importações cresceram 18% de janeiro a abril deste ano em comparação com 2008 e somaram US$ 1,04 bilhão. O reajuste prejudicará o mercado do aço e a competição interna só tende a cair. O importado pode ser mais barato, mas fomenta uma turbulência interna no mercado.
ROBERTO SOTOMAIOR KARAM é presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná
Sons loucos e bad boys
Walmor Macarini
Recentemente um dos fundadores da banda Jair Supercap declarou a este Jornal que ninguém se importa mais com música e que o som tem que ser alto, só isso. Certamente referia-se aos jovens. Primeiro, deve-se perguntar se tudo o que é classificado como música é realmente música ou estridente percussão. Que a maioria de jovens aprecia estridência instrumental não se discute.
Ocorre que esses sons altíssimos propagam não apenas poluição sonora, mas sobretudo energia destrutiva que bate de forma violenta na cabeça dos que as ingere e causa-lhes desequilíbrios. Esses ritmos alucinantes podem associar-se às drogas, e tais poções venenosas (juntas ou cada uma isoladamente) adentram nos corpos inferiores do indivíduo e causam profundo estrago. Esses corpos são o físico, o mental, o emocional e o etérico. Também não significa que os jovens sejam obrigados a ouvir música erudita ou hinos sacros a contragosto, mas estas seriam com certeza vibrações mais harmoniosas, porque semeiam ondulações de serenidade e paz. Tudo depende do que se comece a ouvir na infância e na adolescência. Muitos dizem que se entediam ou sentem sono quando ouvem música clássica. Faltou aí a disciplina aos ouvidos e à percepção.
Já o som do heavy metal (o que se traduz literalmente por coisa pesada e opressiva) leva os ouvintes a estados de perturbação pela desarmonia das correntes vibratórias. Cada qual é livre para absorver o que o meio lhe passa, mas é livre também para a escolha de algo melhor. Todos têm dentro de si os canais abertos para tudo e isto significa que também podem sintonizar o que é belo e sublime. Grupos que formam bandas gostam de posar com fisionomias de bad boys e imagens sinistras. Não se sabe por que.
Se não se deve reagir aos gostos alheios, não faz mal alertar. Tudo é questão de educação emocional e espiritual. Há ritmos frenéticos harmoniosos, mas seguramente a pancadaria é perturbadora. Esta mina os neurônios e leva as pessoas a descontroles de comportamento. A natureza divina nos dotou de maravilhosos dons e a vida tem seus fins sublimes. É preciso fazer bom uso do talento.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





