ESPAÇO ABERTO
Uma visão de futuro
Romeu Saccani
Quando, no alvorecer de Londrina, a família Viggiani aqui chegou não poderia supor que um dos seus filhos, que aqui se fixou ainda muito jovem, poderia deixar a marca da perseverança, trabalho e visão de futuro, capaz de merecer respeito, admiração e prestígio. Foi assim que Clodoaldo Viggiani, cujo falecimento se lamenta, aos 83 anos, no último dia 13, acreditou no potencial da cidade e desenvolveu suas atividades com denodo, trabalho, dedicação e visão empresarial. Aqui encontrou a esposa Santinha com quem constituiu família.
Viggiani completou seus estudos já adulto, quando ingressou no curso de Administração de Empresas na Universidade Estadual de Londrina, onde foi brilhante aluno. Sua dedicação aos estudos levou-o a preparar-se para o magistério, tendo lecionado na UEL por longo período. Juntamente com Guilherme Viscardi e Carlos Machado (de saudosas memórias), Viggiani logrou implantar e desenvolver uma respeitável e prestigiosa empresa, mantendo-se genuinamente londrinense. Constitui, portanto, fato incomum na história de Londrina, pois mesmo com o desaparecimento do último de seus idealizadores, poucas empresas criadas por pioneiros lograram chegar, sem solução de continuidade, aos dias de hoje, em pleno funcionamento e preparada para superar os obstáculos da globalização.
A visão desses homens foi capaz, pelo desprendimento e visão empresarial, de dar vida, além de suas próprias, à rede de supermercados que hoje continua e se fortalece com o grupo de colaboradores iniciais que vieram a integrá-la e seus sucessores. Pelo seu desprendimento, dedicação e visão empresarial, Clodoaldo Viggiani merece essa homenagem, sabendo que marcou sua incomum passagem de forma indelével, deixando um exemplo para as gerações seguintes.
ROMEU SACCANI é advogado em Londrina
Teologia independendo de religião
Walmor Macarini
Quando fala da Teologia da Libertação o padre Leonardo Boff não se refere apenas a questões da vida temporal (embora ele tenha sido focado mais intensamente sob esse aspecto), mas em suas sutilezas ele acentua a libertação do homem também em seu sentido transcendental. Afirmar que isto é predominante em seu discurso não é verdadeiro, mas quem tem o portal aberto para a percepção mais sutil logo identifica essa trilha, que tem muito mais luminosidade do que as questões do usufruto dos bens terrenos, do qual ele se ocupa bastante. Boff associa coisas da Terra com o intemporal e dá uma dimensão mais elástica à Teologia que é a ciência que trata das coisas de Deus.
Faço estes comentários no momento em que leio neste Jornal que a carreira religiosa está deixando de ser prioridade para quem busca o curso de Teologia. Nem todos que o fazem desejam seguir a carreira sacerdotal, mas aprofundar conhecimentos, embora também visem cooperar em atividades pastorais. Por ora os estudos enfocam o cristianismo religioso e digo religioso porque ensinamentos de Jesus, que deram origem às religiões cristãs, têm alguns sentidos que não se vinculam a sistemas de crenças.
Como a ciência teológica é vasta, deve ser enfocada também sob o ângulo do transcendente e das novas revelações, fenômenos que não podem mais ser desconsiderados. Para estudar algo novo no campo das religiões não é preciso crer. Ignorar o que existe resultará em aprendizado apenas parcial. Imagina-se então que os estudos ora anunciados avancem e abarquem a Teologia em toda a sua inteireza. É um progresso a introdução desse ensino como estudo do aperfeiçoamento, tenha ou não vinculação com religiões, mas para ser completo certamente irá avançando para a plena ciência espiritual, que guarda ensinamentos reveladores e que também formam o conteúdo da Teologia. Aí se inserem o budismo milenar, o hinduísmo, a cabala, o messianismo, a seicho-no-ie, a doutrina kardecista, as novíssimas mensagens que emanam de seres das elevadas esferas, a alquimia das dimensões e a nossa conexão com elas.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





