ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Wilmar Marçal 
Há de se evoluir
com mais pesquisa,
mais publicações
e de quebra mais
arrecadação
Dias atrás fomos surpreendidos com o estudo do Ministério da Educação (MEC) avaliando, entre outras, as universidades estaduais paranaenses. A Universidade Estadual de Maringá (UEM) alcançou a melhor média do Estado, com a Universidade Estadual de Londrina (UEL) vindo logo na sequência. O Ministério, ao fazer esta avaliação, considerou quesitos como qualidade de ensino, trabalhos publicados - o que significa a capacidade de inovação científica das universidades. De modo geral o Paraná figurou bem e é importante considerar que a rede de ensino superior pública de nosso Estado é digna de elogios. Esta rede pública é uma conquista da sociedade, que ganha muito com isso. Não é à toa que as cidades que detêm uma universidade pública estão entre as que possuem também melhor qualidade de vida e desenvolvimento.
O Paraná mantém uma das maiores estruturas estaduais de ensino superior e pesquisa. Trata-se de um investimento certeiro e estratégico, uma forma justa (do ponto de vista social inclusive) de levar desenvolvimento para o interior. Imagine o Norte do Paraná sem suas universidades. Será que Londrina, Maringá, Apucarana, Jacarezinho, Bandeirantes, Cornélio Procópio seriam as mesmas? Juntas estas instituições somam seguramente 60 mil universitários.
Ao mesmo tempo em que devemos reconhecer a boa estrutura de ensino superior paranaense, é fundamental também apontar os exemplos de gestão e de qualidade universitária a nossa frente. Mais uma vez as universidades paulistas se destacaram nesse estudo nacional. O mérito não foi por acaso. Em São Paulo a USP, Unesp e Unicamp são beneficiadas com receitas fixadas no orçamento daquele Estado. São percentuais fixos de receitas, revertidos para o ensino e a pesquisa. Um modelo extremamente profissional que significa investimento grosso no capital humano formado por pesquisadores de primeira linha. Não é à toa que grande parte das patentes é requerida pelas megauniversidades paulistas.
O Paraná precisa tirar algumas lições desse estudo do MEC. A sociedade tem de ser chamada para esse debate. Que o desenvolvimento do interior espelha nossas universidades, não há dúvida. Porém, há de se evoluir e buscar resultados ainda melhores, com mais pesquisas aplicadas, mais publicações de todas as áreas e de quebra mais arrecadação em todas as regiões.
Como professor universitário há mais de 20 anos, sempre defendi a prestação de serviços com a universidade aberta a parcerias público-privadas, que possam atender a sociedade, ao mesmo tempo em que as instituições de ensino podem buscar recursos de fora. Isto significa laboratórios equipados e atualizados, reagentes e materiais em quantidade suficiente para suprir centenas de projetos. Paralelo a isso, o novo modelo de universidade brasileira, a exemplo do que já ocorre nas instituições norte-americanas, oportuniza mais rendimento profissional por produtividade. O professor presta serviço, por meio de fundações, revertendo recursos inclusive para a instituição.
Para se atingir os objetivos é preciso ainda valorizar o pesquisador. Ciência não tem fronteira. Os professores paranaenses precisam ser incentivados a viajarem para congressos e eventos internacionais. Isto seria importante inclusive para auxiliar, em médio prazo, as outras universidades (tanto públicas quanto privadas) que tiveram resultados baixos.
Há outro aspecto que nossas instituições precisam evoluir. O Paraná é o Estado que mais investe no ensino superior público, mas ainda não tem total isonomia nos vencimentos dos professores nos proventos recebidos nas atividades administrativas. Isso acaba criando distorções graves, que poderiam ser resolvidas com uma ação gestora simples. A sociedade é a grande avalista de que é fundamental pensar o Estado estrategicamente, suprindo cada vez mais nossas demandas de cultura, de saúde e nas diversas áreas do conhecimento. Lembrando Fernando Pessoa, ''o homem tem de ser do tamanho de seu sonho''. Por isso devemos pensar sempre à frente, vislumbrando um Estado que avançou muito no quesito ensino superior, mas que pode ainda crescer.
WILMAR MARÇAL é reitor da Universidade Estadual de Londrina


