ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de setembro de 2009
Adoniro Prieto Mathias 
Área administrativa: mal necessário!
Adoniro Prieto Mathias
É inaceitável o desrespeito que existe na grande maioria das empresas em relação à área administrativa. A falta de respeito é tão grande que as pessoas chegam a comentar: A área administrativa é um mal necessário. E isso ocorre não só na iniciativa privada, mas também nas empresas do governo.
Ilustro: numa empresa de telecomunicações os engenheiros são tidos e havidos como peças-chaves da empresa, absorvendo excelentes salários, enquanto os demais colaboradores são relegados a segundo plano. Já numa empresa de vendas são os vendedores que absorvem todos os méritos.
Os empresários, normalmente, esquecem da importância e da relevância das demais funções que dão suporte para um bom funcionamento da empresa. Não podemos nos esquecer, entretanto, que em qualquer empresa todas as áreas têm a sua importância e a sua responsabilidade.
Em uma empresa de vendas os vendedores não podem se sobrepor à área administrativa composta por cadastro, almoxarifado, faturamento, cobrança e serviços gerais. É o sincronismo de todas essas áreas que permite o início e o término do processo, ou seja: o cadastro tem que dar o sinal verde para as vendas; o almoxarifado tem que enviar os produtos; o faturamento tem que faturar, a cobrança tem que receber e, por fim, a área de serviços gerais tem que manter a manutenção, limpeza, segurança, cantina, etc.
Podemos afirmar, diante disso, que não pode existir uma área mais importante numa empresa. Podemos, sim, ter colaboradores mais ou menos importantes, no que se refere à eficiência e ao comprometimento. Esses colaboradores têm que ser vistos e reconhecidos de forma diferenciada, contrariando uma tese bastante antiga que diz: Todos devem ser tratados da mesma forma, o que, nesse caso, seria uma injustiça.
ADONIRO PRIETO MATHIAS é contabilista em Londrina
Como o bote da serpente
Walmor Macarini
Se estamos numa floresta sabemos dos perigos que ali existem, como os animais ferozes, as cobras, o cipoal e os espinhos, assim como a pureza do ar, a beleza da folhagem e das flores, os animais dóceis, o canto dos pássaros, a dança e o assovio das árvores pelo sopro do vento. Se um animal nos ataca temos de nos defender, mas sem o sentimento de raiva porque assim é a natureza dele.
A sociedade é como uma floresta onde encontram-se belezas e horrores. Somos iguais a tudo que habita uma floresta. Nos defendemos, mas também somos atacantes perigosos, porque derrubamos as árvores e com elas os ninhos das aves, assim prejudicando seu meio de subsistência e a procriação. E as sufocamos pelas queimadas. Temos nosso componente sadio, mas também nossa porção predadora e corrompida. É do meio social que saem os governantes, os empresários, os educadores, os comunicadores sociais, os líderes religiosos, os maus cidadãos e também os benfeitores da humanidade. Porque o meio tem essa diversidade de mesclas. Por isso não podemos pretender que, sobretudo os políticos, sejam todos santos homens se o meio não é plenamente constituído de santos.
Os governantes têm as características da sociedade. Temos de saber conviver com esta realidade. Sem conformismo e indiferença, mas serenos e responsáveis. Porque neutralidade não pressupõe harmonia, mas fuga de responsabilidade. Cada um de nós é partícipe e feitor de coisas boas, mas também das más. Os governantes têm as características do conjunto social. A luta, então, é nos melhorarmos conjuntamente. Devemos saber, como na lei da floresta, que a serpente ataca mortalmente, que a picada do marimbondo arde como fogo e que os espinhos dilaceram a carne. Assim é este mundo da terceira dimensão.
Políticos e nós próprios temos nossas garras afiadas e língua ferina e somos capazes de atrocidades com a natureza e com nossos iguais, assim como temos atributos de docilidade e carinho. Se colocamos uma serpente dentro de casa, sabemos que em determinado momento ela nos atacará; se damos poder a alguém sabidamente corrompido, não podemos esperar outra coisa senão um bote idêntico ao da serpente.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA


