ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de setembro de 2009
Antonio Carlos M. Guimarães 
É preciso mostrar ao
mundo que o Brasil pode
produzir mais sem avançar
sobre as áreas de floresta
Existe uma preocupação permanente de governos, instituições e da sociedade com a falta de alimentos no mundo. O aumento populacional e a crescente demanda por energia exigem dos produtores aumento de eficiência para que a produção seja suficiente para acompanhar essa tendência de crescimento do consumo. Estima-se que, com o crescimento populacional em torno de 1,2% ao ano, o planeta terá 9 bilhões de habitantes em 2050. Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição confortável e de destaque como o segundo maior exportador e produtor de alimentos do mundo, atrás apenas dos EUA.
O processo de modernização do setor do agronegócio e os investimentos em inovação são determinantes para colocar o Brasil nessa posição de vanguarda. O país está alinhado com a tendência de aumento da produtividade registrada nos países de economia emergente. Segundo estudos recentes da FAO, a alta na produção de alimentos foi impactada principalmente pelo aumento da produtividade.
No período de 1975 a 2008, o Brasil ocupou o primeiro lugar como o país com maior aumento de produtividade, 3,66% ao ano, a frente da China, 3,2%, Austrália, 2,12%, e Estados Unidos, 1,95%. As estimativas do governo são que a safra de 2009 será de 133,78 milhões de toneladas liderados principalmente pelas culturas de milho e soja. Essa produção será alcançada com a utilização de apenas 5,4% do território nacional, ou seja, 47,6 milhões de hectares. Sem computar áreas de preservação ambiental e florestas, avalia-se que temos ainda 90 milhões de hectares que podem ser destinados à exploração agrícola, o que soma 11% das terras do país.
Esses números dão ao Brasil o título de país com a menor área agricultável do mundo em relação à área total, concedido pelo Banco Mundial. O maior desafio, portanto, continua sendo desenvolver tecnologias que aumentem a produtividade, elevando a média de produção por área para consumo e exportação. Outros indicativos presentes na agricultura brasileira que contribuem para o aumento da produção são os investimentos em áreas irrigadas, maior regulamentação para o dos recursos hídricos, adoção de tecnologias menos agressivas ao meio ambiente e a reformulação do processo de ocupação das terras agriculturáveis.
Embora o desmatamento continue a ocorrer, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, é possível afirmar que o crescimento da produção agrícola depende mais da utilização de novas tecnologias e do consequente aumento da produtividade e, cada vez menos, da incorporação de novas áreas. O consumidor e o mercado, cada vez mais exigentes, cobram produtividade, competitividade e sustentabilidade. Ou seja, produzir mais, em espaços menores, de forma responsável, utilizando as modernas práticas agrícolas. Essa equação é a chave do sucesso da agricultura que será capaz de produzir alimentos, ração e biocombustível.
É preciso firmar o compromisso de preservar e conservar nossa terra, e mostrar ao mundo que o Brasil pode produzir mais sem avançar sobre as áreas de floresta. Um exemplo de prática de agricultura sustentável é o projeto Lucas do Rio Verde Legal, que envolveu o mapeamento de uma área de 365 mil hectares com 680 propriedades rurais. O projeto, que orientou produtores na adoção de práticas alinhadas com a legislação ambiental e trabalhista, prevê a redução dos passivos socioambientais no setor agropecuário, por meio de medidas compensatórias e estímulo ao uso correto e seguro dos defensivos.
Precisamos estar atentos ao desafio de alimentar uma população crescente e para suas implicações. Há em todos os pontos soma de esforços para encontrar a solução. Pesquisar, cultivar, produzir e exportar fazem parte do cotidiano do agronegócio brasileiro. Como em todos os setores, porém, há práticas que devem ser disseminadas, exemplos a serem seguidos. As boas práticas da agricultura e o emprego de modernas tecnologias fazem parte desse contexto.
ANTONIO CARLOS M. GUIMARÃES é engenheiro civil em São Paulo


