ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de setembro de 2009
Fábio Cesar Alves da Cunha 
Um trem de passageiros é
essencial para potencializar o
desenvolvimento do eixo e das
duas regiões metropolitanas
Chega com satisfação a informação da possibilidade de se reativar um trem de passageiros no eixo Londrina-Maringá. Urge para que esse tipo de iniciativa tenha sucesso, haja vista que qualquer região que almeje continuidade em seu desenvolvimento necessita de um sistema ferroviário de passageiros. Sempre foi assim, historicamente, em várias partes do mundo, inclusive na própria região de Londrina e Maringá. O que seria do empreendimento da Companhia de Terras Norte do Paraná, se não existisse a ferrovia para viabilizar o projeto? Tão logo iniciou o projeto imobiliário, a ampliação da estrada de ferro, parada em Cambará, foi retomada e logo chegou a Londrina, mais tarde Maringá e Cianorte.
O empreendimento colonizador e o trem de passageiros são dois elementos que se integraram, propiciando o adensamento populacional necessário para o desenvolvimento econômico da região. No início da década de 1970, esse desenvolvimento já se destacava a ponto de ser escolhido pelo governo estadual para a implantação de um projeto de desenvolvimento regional: a Metrópole Linear Norte do Paraná (Metronor). Esse projeto tinha entre outros objetivos o de integrar as regiões dessas duas cidades-polos Londrina e Maringá e vislumbrava uma futura metrópole linear para o eixo.
O projeto foi iniciado em 1977, mas por questões políticas, entre elas, uma incompatibilidade entre as esferas municipais, estadual e federal, o mesmo pouco se desenvolveu durante seus 12 anos de existência, até ser extinto em 1989. Nesse período, poucos objetivos se concretizaram no Metronor, entre eles, a duplicação da rodovia Londrina-Maringá, que, seguindo o mesmo traçado da ferrovia, passava por todos os municípios entre esses dois maiores centros urbanos.
Apesar de a duplicação ser necessária, devido, entre outras coisas, ao alto número de acidentes registrados no período antes da duplicação, dois fatores passaram a comprometer a integração no eixo Londrina-Maringá: o primeiro foi a desativação do transporte ferroviário de passageiros do eixo no final da década de 1970; o segundo foi o próprio projeto de duplicação da rodovia Londrina-Maringá que, por motivos muito mais políticos que técnicos, optou por não duplicar a antiga estrada que atendia todas as cidades do eixo, fazendo um desvio de Arapongas até Mandaguari pela estrada PR-444, que até então nem asfaltada era. Dessa forma as cidades de Apucarana, Cambira e Jandaia do Sul acabaram sendo ''sub-traídas'' dessa duplicação.
Esses dois fatores foram decisivos para quebrar o elo de integração do eixo Londrina-Maringá, um dos objetivos do Metronor. A maior evidência disso são as regiões metropolitanas de Londrina e Maringá instituídas individualmente no final da década de 1990, que praticamente ainda ''engatinham'' em seus objetivos de se tornarem efetivas regiões metropolitanas.
Por outro lado, as demandas do eixo evoluíram e as relações de Londrina com Apucarana, Arapongas e demais cidades são cada vez mais intensas. O mesmo ocorre entre as cidades do entorno de Maringá e da própria relação entre as duas principais cidades: Londrina e Maringá. Um trem de passageiros não é só importante, mas condição essencial para potencializar o desenvolvimento do eixo e das duas regiões metropolitanas carentes de transporte ferroviário de passageiros, algo essencial nas regiões metropolitanas de todo o mundo.
Que essa iniciativa de reativar o trem de passageiros entre Londrina e Maringá não fique só no papel, como tanto tempo ficaram suas regiões metropolitanas, e que as forças políticas se unam em prol do projeto de um transporte ferroviário seguro, rápido, confortável e econômico, pois só assim ele poderá oferecer uma opção a mais ao transporte rodoviário e contribuir com o desenvolvimento da região.
FÁBIO CESAR ALVES DA CUNHA é geógrafo e professor adjunto do departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina


