É la­men­tá­vel que a dis­cus­são
ago­ra não se­ja no sen­ti­do
de in­cre­men­tar a par­ce­ria
pú­bli­ca com o se­tor ­privado



Quando os mais incautos - como eu - pensavam que a polêmica em torno da construção do Teatro Municipal estava encerrada, mesmo dois anos após a definição da área para a construção, eis que o tema retorna com uma discussão extemporânea e - pior - desagregadora parecendo que Londrina e parte de suas lideranças não percebem as agruras e consequências de litígios contra empreendimentos de interesse geral.
Antes que a primeira pedra seja atirada, em especial quanto ao - aparentemente - principal problema da construção do tão sonhado Teatro Municipal sob responsabilidade da Prefeitura, no empreendimento conhecido como Complexo Marco Zero, que envolverá recursos que ultrapassam R$ 360 milhões, e que beneficiariam, interesses privados, cumpre desde logo salientar que, se o problema é esse, importa que seja feita uma grande reflexão.
Nos últimos anos, inúmeras cidades no país embrenharam-se em disputas ferozes, oferecendo uma série de incentivos para que empreendimentos sejam recebidos em seus domínios no intuito de aumentar a arrecadação, gerar empregos e desenvolver a economia local. Políticas de doações de áreas, isenções de impostos, etc., foram - e ainda são - utilizadas para atrair os empreendedores, eis que o poder público, sozinho, não é capaz de alavancar investimentos, daí a grande importância de parcerias com o setor privado.
Assim, surge a reflexão: Londrina deve andar na contramão da realidade nacional negando incentivo aos investimentos da iniciativa privada? Este é justamente o ponto que parece ter sido deixado à margem da discussão sobre a construção do Teatro Municipal dentro de um empreendimento particular, a utilização de dinheiro público para atender interesses do setor empresarial, eis que a questão sobre o melhor local é, claramente, fora de propósito, pois durante dois anos, não existiram manifestações contra a melhor área para construção sendo agora, no mínimo, curioso reabrir o debate.
Se as lideranças locais possuem, de fato, interesse no melhor para a cidade, deveriam promover a união, apoiando e incentivando, todas as iniciativas privadas - sérias! - que gerem o crescimento econômico da cidade, como parece ser o caso do Marco Zero, até porque contra a seriedade e lisura de seus representantes não se ouviu ou leu uma única crítica. Aliás, não é novidade o incentivo da Prefeitura às iniciativas privadas em Londrina.
Infelizmente, o londrinense nos últimos anos, salvo exceções, tornou-se um crítico negativo - basta a leitura das cartas dos leitores -, sempre ressaltando o crescimento de outras cidades e o aparente atraso de Londrina, outrora uma rica cidade, hoje um município que não encontra o rumo do crescimento econômico.
Se é verdade que estagnamos - conforme alguns sugerem - e que cidades como Joinville (SC) ultrapassaram nossa cidade, seria bom dar uma olhada na pesquisa recente na Fundação Getúlio Vargas, analisando 127 cidades brasileiras, e colocando Londrina na 24 posição - à frente de muitas capitais - e Joinville na 50, em um ranking de municípios com melhores oportunidades para o crescimento profissional.
Por isso, com as devidas escusas aos que divergem, é lamentável que a discussão agora não seja no sentido de incrementar a parceria pública com o setor privado na reunião de todas as lideranças locais em prol do incremento do crescimento econômico, como é, indubitavelmente, o caso do Marco Zero. Para aqueles que se preocupam com o progresso, o que verdadeiramente importa é a geração de oportunidades, empregos, diversificação da economia e a construção de um lindo Teatro Municipal o mais breve possível.
WALTER BARBOSA BITTAR é advogado e professor de Direito Penal da PUC em Londrina

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