ESPAÇO ABERTO
Reciclagem do lixo: todos ganham
Ludinei Picelli
A notícia de contêineres de lixo vindos da Europa em nossos portos surpreendeu e exigiu providências das autoridades para que fossem devolvidos à sua origem. Nos últimos 18 meses o Brasil importou 223 mil toneladas de lixo de outros países porque nosso trabalho interno nessa atividade é deficitário. No mesmo período, deixamos de gerar uma receita de US$ 12 bilhões com a falta de reciclagem dos nossos resíduos que acabaram poluindo o meio ambiente. Mesmo sendo uma atribuição imposta às prefeituras por determinação constitucional, não há uma política nacional para a atividade. Segundo estudos, o dinheiro do lixo substituiria o Bolsa Família, além de dar a dignidade do emprego.
Londrina já deu demonstração de como realizar bem essa prática. Porém, o procedimento que deveria melhorar progressivamente tem se mostrado decadente. Hoje vemos reclamação generalizada tanto da população que separa o lixo como dos coletores que o manipulam e auferem renda com o trabalho. A atividade está sendo feita amadoristicamente pelas ONGs que atuam sem orientação e sem apoio logístico. É comum que bairros inteiros fiquem privados da coleta porque a velha kombi quebrou e não há recursos para repará-la. Os coletores individuais empurram carrinhos em péssimas condições e num enorme sacrifício. Esses trabalhadores ameaçam paralisar o serviço por falta de estímulo e de uma razoável remuneração.
É preciso adotar medidas urgentes para que esse procedimento seja mais organizado e com uma logística mais empresarial. Investir ainda no esclarecimento da parcela da população que ainda não aderiu ao sistema e não enxerga os benefícios que a separação do lixo proporciona. Afinal, a reciclagem do lixo é interessante para o município que alivia seus lixões, para a indústria que evitaria a importação de resíduos, para a geração de empregos e para um meio ambiente mais limpo.
LUDINEI PICELLI é administrador de empresas em Londrina
Um novo olhar para o jardim
Walmor Macarini
Falando alegoricamente, somos fragmentos da explosão de Deus, por isso identificados com sua substância. Daí dizer-se que somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Mas não como as pinturas sacras do passado que o retrataram de forma humana, sentado num trono como se assentam os soberanos. São alegorias, naturalmente, e não faz mal que muitos o entendam assim se é desse modo que o entendem. Deus tem a forma que cada um lhe dá.
Mas é certo que Deus não é especificamente uma pessoa e sim tudo o que sentimos, imaginamos e vemos e que se perde nas inimagináveis distâncias das dimensões universais. Buscar entender esse mistério é como pretender colocar dentro de uma concha o oceano. Não temos necessidade de decifrá-lo, bastando entender que existe um mistério ainda fora do nosso alcance.
São iguais mistérios o nosso corpo e os bilhões de células que o compõem e que encerram em cada uma tudo o que o universo contém, assim como são um mistério nossos corpos multidimensionais. Homem, conhece-te a ti mesmo deixou escrito Sócrates à entrada do oráculo de Delfos. Se chegarmos a saber o que somos, então estaremos adentrando o portal que nos conduzirá ao entendimento de Deus. Temos origem divina e a ela retornaremos. Porque somos corpos de luz e estamos incorporados à luz.
Tudo o que desponta e floresce, vertendo-se de si mesmo, é um mistério. Não entendereis ainda, nos avisou Jesus a seu tempo. Devemos ter consciência de que somos seres espirituais, formando individualidades e no entanto unos com o Todo. Cada um de nós carrega a consciência da eternidade e é isto que nos confere o selo da divindade. O abecedário cósmico tem uma numerosa quantidade de letras e não as conhecemos. Letras desconhecidas formam palavras desconhecidas. Impossível explicar com nossas palavras o inexplicável. Mas este é um tempo de ampliar o campo de visão, ter a ousadia de derrubar barreiras, desatrelar-se de amarras, afastar a cortina da janela e ver que há algo novo no jardim. Porque flores dantes desconhecidas estão desabrochando.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





