Não te­mos ­mais ho­mens de
re­le­vân­cia na­cio­nal que
pos­sa­mos apon­tar pa­ra
nos­sos fi­lhos co­mo
exem­plos a se­rem ­seguidos




A revista britânica ''The Economist'' (10/07/09) tratou da atual crise por que passa o Senado do Brasil em matéria cujo título foi ''Casa de Horrores''. É claro que o periódico já recebeu o ''troco'' dos nossos senadores que não admitem tais ''ingerências palpiteiras''. Como discordar da revista? Acaso a lógica de sua conclusão é equivocada? Ou será que existe também um complô da mídia estrangeira? Era só o que faltava para Lula e Sarney: a mídia estrangeira aderiu à ''conspiração'' da nativa para desestabilizar o Senado e o governo lulo-petista (!).
É certo que - como os brasileiros - os britânicos também têm as manchas dos seus próprios agentes políticos a envergonhá-los. É assim com todas as nações. ''Casa de Horrores'', que ousadia! Qual horror? Os britânicos ainda não perceberam que nós nos adaptamos a este horror? Ele é histórico em nosso chão; está dentro da alma não só dos senadores, mas da classe política nacional como um todo. É a nossa ''vergonha-amiga''! Já nos acostumamos tanto a ela que tornou-se nossa coceirinha irritante: vem e vai, não sara nunca.
A alma e o corpo querem reagir contra o horror-vergonha, mas o hábito tolheu-lhes a força para isso. Os anticorpos da reação parece que sucumbiram com a morte da União Nacional dos Estudantes (UNE), cujos jovens burgueses venderam seu vigor e brilho nos olhos a peso de ouro, literalmente falando. Saíram às ruas quando lhes foi conveniente, porém, quando receberam o ''cala boca'' desapareceram das ruas, das faixas, das caras pintadas, dos nossos corações.
Britânicos, estamos, sim, morrendo de vergonha. Não sabemos o que fazer. Morremos um pouco a cada dia de tanta vergonha. Nosso rosto está ruborizado. A ética e a moral deixaram de ser padrão para tornarem-se exceção. Não temos mais homens de relevância nacional que possamos apontar para nossos filhos como exemplos a serem seguidos. Na verdade, tememos que nossos filhos se tornem como eles. Britânicos, nós estamos muito indignados. Os mecanismos normais de disciplina da nossa incipiente democracia há muito estão na UTI. Eles funcionam para quem não tem poder ou dinheiro.
Em meio a essa tragédia que se abateu sobre a Nação há o gritante silêncio dos não inocentes: as apáticas lideranças e respectivos líderes das diversas denominações cristãs. Eles fazem o papel dos religiosos omissos quando da escalada de Hitler ao poder. Quando quiseram esboçar alguma reação já era tarde demais.
Os líderes e lideranças cristãs são mornos e insossos. Não querem ''sujar'' as mãos na defesa pública, efetiva, enérgica e constante dos verdadeiros filhos desta terra, cristãos ou não. Têm pleno conhecimento da gravidade e extensão dos horríveis efeitos causados pela degradação moral dos políticos brasileiros há décadas, contudo, nada fazem. E quando o fazem a resistência que oferecem é para dar alguma ''satisfação'' aos seus respectivos arraiais, apaziguando suas próprias consciências e as de alguns outros que aparentam estar cegos diante da descomunal manifestação de imoralidade que se abateu sobre a Nação.
Anciãos do Brasil: agora é com vocês. Lutem por nós. Sim, vocês deveriam estar usufruindo o merecido descanso após anos de trabalho e sacrifício, mas, escutem isso: a Nação precisa novamente de vocês! Larguem suas mantas, deixem as filas do INSS e se possível os leitos dos hospitais, parem um pouco com os bicos que são obrigados a fazer para ajudar no sustento de filhos e netos e venham em socorro do Brasil! Por favor, saiam às ruas! Não, isso não é loucura ou um sonho! Creiam, tudo é possível aos que creem! Quem sabe esse pode ser o começo de uma nova forma de governar a Nação: a revolução dos sábios e valorosos anciãos do Brasil.
JOÃO ANTÔNIO SANTA ROSA é advogado em Santo Antônio da Platina

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