Já é ho­ra dos go­ver­nan­tes
e em­pre­sá­rios acor­da­rem
pa­ra as ques­tões am­bien­tais
e ­suas gra­ves ­consequências




Com frequência vemos por meio da mídia queixas de empresários e governantes sobre a legislação ambiental brasileira. Afirmam que ela cria entraves ao desenvolvimento econômico, atrasa a realização de novos empreendimentos, imputando também aos órgãos ambientais a culpa por estes problemas.
Temos que concordar parcialmente com esses críticos. Os órgãos ambientais, em geral, não dispõem de quadros técnicos em número capaz de avaliar a quantidade cada vez maior de pedidos de licenciamento ambiental que chega aos seus escritórios. Mas a falta de técnicos é um problema causado pela falta de visão dos administradores públicos que dão prioridade aos setores capazes de produzir ações que tragam dividendos políticos de curto prazo, em especial ao de obras públicas.
A razão da reclamação dos empresários e governantes em relação à legislação ambiental é, na verdade, culpa deles mesmos porque não dão às questões ambientais a ''prioridade'' que merecem. Contratam arquitetos, engenheiros calculistas e instaladores, mas só se lembram de avaliar os impactos que a obra irá causar quando estão prontos para iniciá-la. E então querem obter as licenças ambientais em prazos recordes.
A falta de prioridade para as questões ambientais está ligada à ausência de conhecimento sobre a legislação por parte dos empresários e governantes. A formação profissional na área ambiental é recente. Até mesmo engenheiros e arquitetos ainda se comportam como se estivéssemos no século XX. Eles têm nas mãos a responsabilidade de realizar os novos empreendimentos, mas se esquecem que a degradação ambiental se mostrou danosa nos últimos anos em virtude de nossa forma de agir descompassada da atual realidade.
Perguntem a um governante ou a um empresário sobre os impactos ambientais de seu novo empreendimento: 90% vão responder que seus empreendimentos não causam impactos, não por má-fé, mas por total desconhecimento do que seja impacto ambiental. Não levam em conta que seus empreendimentos trarão consequências ao sistema viário do entorno, à paisagem, às emissões de CO2, ao consumo de água e à energia elétrica, à ventilação e à insolação dos vizinhos, à geração de resíduos durante a obra e à pós-ocupação, muito menos quanto aos impactos gerados pelos insumos utilizados na construção.
Desatualizados, dizem que não geram impactos em contraponto com a dura realidade em que os maiores impactos ambientais de todo o planeta são advindos da atividade da construção civil.
Já é hora dos governantes e empresários acordarem para as questões ambientais e suas graves consequências sobre as futuras gerações. Desenvolvimento econômico a qualquer preço é coisa do passado. As grandes cidades, principalmente, pagam hoje pelos erros que a humanidade cometeu quando ainda não se tinha ideia da degradação ambiental que isso causaria. Hoje o desenvolvimento econômico só pode ser realidade de maneira sustentável, isto é, desenvolvimento que gera riqueza sem degradar o meio ambiente.
O aquecimento global é uma realidade que deve ser enfrentada com urgência. Todo empreendimento deve incluir a avaliação do impacto ambiental em sua concepção. Quando a obra for iniciada, as licenças ambientais já estarão liberadas e as compensações previstas. Não vai ser a legislação ambiental que vai atrasar a obra.

FERNANDO DE BARROS é engenheiro civil especialista em Planejamento em Gestão Ambiental e presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Londrina

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