ESPAÇO ABERTO
Todos perdem com a PEC 231/95
Valter Orsi
A economia globalizada requer empresas extremamente competitivas. Por isso nossa preocupação com relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/95 que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem o ajuste correspondente no salário, e aumenta o valor do adicional da hora extra de 50% para 75% sobre o valor da hora trabalhada. A PEC tem como fim aumentar o número de empregos nas empresas. Essa lógica está errada: a criação de novas vagas de trabalho nas empresas não depende exclusivamente de uma lei, mas de uma conjunção de fatores que proporcionam um ambiente favorável à economia. Quando a economia está aquecida aumenta a demanda por produtos, as empresas precisam produzir mais e contratam mais funcionários para atender a necessidade do mercado. Essa é a matemática lógica da economia.
No Brasil as relações entre capital e trabalho estão paradas no tempo. Elas não evoluíram como nos países mais desenvolvidos. O engessamento das regras para contratar e demitir não faz bem nem às empresas e nem aos empregadores. É muito caro contratar e treinar um funcionário e muito mais caro ainda demiti-lo. Se a PEC 231 for aprovada sem a redução de salários, além de não gerar novos empregos como se deseja, vai provocar o efeito contrário. Com custos maiores, deixarão de ser competitivas. Não sendo competitivas perdem mercado e ficam ociosas, sendo obrigadas a enxugar para sobreviver. A negociação entre as partes é sempre o melhor caminho. Quando se cria uma lei, se engessa tudo, colocando no mesmo patamar gigantes multinacionais e pequenas empresas que têm realidades completamente diferentes. O Brasil precisa discutir a flexibilização das leis trabalhistas. Não é o momento de engessar ainda mais as relações entre o trabalho e o capital.
VALTER ORSI é presidente do Sindimetal em Londrina
O estado de espiritualidade
Walmor Macarini
O homem cuida mais do corpo que do espírito e, no entanto, aquele dura pouco e este é eterno. O ser humano viveria melhor, com mais saúde e mais sucesso nos negócios e nas profissões, se buscasse alcançar o mais elevado grau possível de espiritualidade. Nos últimos tempos começaram a aparecer nos jornais, revistas e livros recomendações de monitores de treinamento profissional para a introdução da espiritualidade como ferramenta de trabalho (assim dizem) na área empresarial. É ainda uma metodologia para alcançar sucesso, mas tal resultará em abertura de portais para o efetivo avanço espiritual.
Espiritualidade não é o mesmo que religiosidade, porque esta se estriba em fundamentos religiosos. Mais que isso, espiritualidade é um elevado estado de consciência que transcende o culto a um credo; é o alcance da plenitude do entendimento, que nos coloca em estado de comunhão com Deus. Espiritualidade é descoberta. Como de alguém, perdido num nevoeiro, que nunca conheceu um campo aberto de claridade e nem sabia da existência dele e, de repente, vê-se numa clareira. Então descobre que esse lugar existe, e prostra-se extático, em deslumbramento. Espiritualidade é um estado perene de êxtase.
A espiritualidade é encontrável em nosso interior, porque ali reside o mestre infalível, que é a porção divina de cada ser. Inútil procurá-la em outro lugar. Espiritualidade é um sublime sentimento de liberdade e de ingresso no portal do paraíso. Depois que se entra nesse estado de plenitude não há retrocesso. Agora começam a aparecer os sinais de uma duradoura cultura espiritual, que se traduz por uma busca espontânea de nossa origem, do que somos, o que fazemos nesta dimensão terrena, a responsabilidade de nossa missão e o que nos aguarda nos amanhãs. Tais respostas irão brotando em profusão, porque os horizontes da consciência vão se descortinando e o homem encontrará o caminho de sua reconexão com Deus e este, cada um encontrará dentro de si mesmo.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





