ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de julho de 2009
Aldo Pedalino e Patricia Grassano Pedalino 
Cada minuto que eu e você
estamos sem fazer nada,
mais uma criança é
atraída para o tráfico
A pobreza é a maior ameaça à paz mundial, ainda mais perigosa que o terrorismo, o fundamentalismo religioso, o ódio étnico, as rivalidades políticas ou qualquer uma das outras forças citadas como geradoras de violência e guerras. Ela conduz à desesperança, o que leva as pessoas a cometerem atos impensados. Aqueles que não possuem nada não têm nenhuma razão para se abster de violência, uma vez que até mesmo os atos com a mínima probabilidade de virem a melhorar as suas condições de vida parecem ser melhores do que não fazer nada e aceitar o destino passivamente.
A pobreza cria refugiados econômicos, induz a confrontos populacionais e leva a conflitos entre povos e clãs. Esses povos brutalizados acham fácil recorrer à guerra. Se não estivéssemos envolvidos em um trabalho de resgate social, talvez não fosse fácil entender a extensão e as reflexões de Muhammad Yunus no livro ''Um mundo sem pobreza''. As dores são muitas, o sentimento de ser ignorante, a sensação de estar abandonado e não ter a quem recorrer, a dor da fome, a dor de ver a sua água e luz sendo cortadas, tudo isso é muito triste.
A dor de ser humilhado, no atendimento ''não humanizado'' de serviços que você fica à espera da boa vontade de quem está atendendo. Ao ser atendido nas instituições onde não estão preocupados com as suas necessidades, de não ser reconhecido como um filho de Deus, é muito forte e até difícil descrever. Você conhecer as casas, as famílias, entender de onde vieram, o que passam, o que vivem dia após dia. Fica evidente que a energia da dor precisa ir para algum lugar, pois na vida tudo se transforma e, portanto, parte dessa energia da dor vai se transformar em violência. E não existe no mundo guarita, muros altos, cerca elétrica, segurança armada, policiamento preventivo e ostensivo, câmera de filmagem para segurar essa energia do ódio que foi criada pelo desamor, pela indiferença e desesperança.
Essa energia do ódio só irá parar quando a sociedade se dispuser a cuidar de quem foi menos ''agraciado'' que outros. Estender as mãos, se preocupar com a vida e a dor do próximo, ajudá-lo a transformar as suas vidas, proporcionando dignidade e um mínimo de condições para se ter uma vida sem miséria. A miséria pode acabar! É possível, acreditem nisso! Não será o prefeito, o governador e presidente que irão mudar a nossa realidade. Eles darão condições estruturais para as mudanças. Nós, da sociedade civil organizada, temos um poder que está além da nossa imaginação: um poder de mudança e transformação que quando nos colocamos à disposição para atuar por meio do amor incondicional e fraternal, igual fazemos aos nossos filhos, observamos que realmente o céu é o limite e que Deus está em todo lugar, dentro de nós, nos fortalecendo para uma mudança que só pode vir através de todos nós.
O que fiz para ter o que tenho? Nasci simplesmente em uma família com mais oportunidades, com mais possibilidades, talvez com mais carinho e atenção. Outros também nasceram, mas não com as mesmas condições que eu e você. E o que fazemos para mudar a história de alguém que está fadado a nascer e morrer da mesma forma? Nascer e morrer com poucas oportunidades e sem esperança? Não temos mais tempo. Trata-se de uma corrida contra o tempo. Cada minuto que eu e você estamos parados, sem fazer nada, mais uma criança é atraída para o tráfico de drogas ou encontra uma saída ''não honrosa'' para sua existência, mais um adolescente busca o caminho da contravenção e do ilícito para sobreviver porque não vê saída para sua vida. É mais fácil do que eu e você imaginamos. Venha se unir à nossa corrente para um mundo melhor.
ALDO PEDALINO e PATRICIA GRASSANO PEDALINO são, respectivamente, conselheiro fiscal e presidente da Associação Mãos Estendidas em Londrina


