ESPAÇO ABERTO
O bom negócio do lixo
Ruth Bárbara Steidle
Fatos e boatos sobre lixo continuam no ar deixando a população de Rolândia pasma. O poder público ofereceu a uma empresa multinacional espaço para deposição do lixo regional. Será possível o lixo ser tão valioso a ponto de dar lucro a uma grande empresa e deixar insensíveis os representantes do povo? Constantemente somos confrontados com notícias sobre a imperiosa necessidade de pouparmos os recursos naturais. Quem está na contramão? Normal seria pagarmos para alguém cuidar adequadamente do lixo que produzimos. Se esse alguém não cuidar direito, pode ser advertido e demitido. No caso, a região é que receberá pagamento - e muito bom - para produzir lixo; quanto mais lixo, mais lucros para a empresa. Isso é uma inversão de valores!
Meio ambiente e desenvolvimento são tratados como dois times antagônicos com torcida organizada. Um tem que vencer! No momento parece que vamos ter que abaixar a cabeça. O time do desenvolvimento está em vantagem. Alguns ainda estão dispostos a brigar, outros ficam raivosos ou simplesmente desanimados. Contudo, como guardar para as próximas gerações sementes de esperança, de respeito e de noção do sagrado? Como unir meio ambiente e desenvolvimento? Talvez não vá ser possível evitar mais uma situação imposta pela cobiça, mas há males que vêm para o bem. O pasmo refletido nos rostos e nas palavras da população pode ser um indicativo que podemos sim tentar nos unir, independente de etnias ou credos, e descobrir que temos identidade própria, que temos maravilhas, valores confiáveis, a alegria da própria capacidade e ter amizades baseadas no respeito.
RUTH BÁRBARA STEIDLE é agricultora em Rolândia
Semeadores de paz e esperança
Walmor Macarini
Vez ou outra o mundo é brindado com certas pessoas especiais, destas que chegam e semeiam paz e esperança. Mais recentemente foram Lady Di e Michael Jackson. A Princesa sorria o sorriso doce das fadas e parecia externamente triste, mas era alegre o seu coração. Michael cantou, dançou e irradiou êxtase e bons sentimentos, exteriorizados em palavras, movimentos e atitudes, e pulverizou a Terra com emanações de amor que só as pessoas sensíveis podem sentir e perceber.
Não foram só eles, mas tantos outros seres luminosos que desfilaram aos olhos da humanidade e deixaram um rastro de luz, como a cauda dos cometas. Neste mundo adverso, eles também passariam por tentações e tribulações, porque humanos em sua fisicalidade. Ao emergir neste meio, eles, como qualquer mortal, não puderam evitar as águas revoltas que agitam este planeta, e teriam de ser semideuses para livrar-se delas.
Muitos como eles chegam para tarefas missionárias, e estas se realizam de múltiplas formas, podendo ser apenas uma presença irradiadora de luz e energia renovadora. E pelo grau de sua estrutura espiritual entrechocam-se no contato com a densidade terrena. Como um meteoro que se incendeia ao impactar com a camada densa da atmosfera. Importam menos os amores tumultuados de Lady Di; importam menos as excentricidades de Michael Jackson. Importa a luminiscência que a Princesa espargia e que se propagava como sementinhas de amor no solo árido deste planeta; importa o idêntico legado que Michael deixou.
Nunca na história da humanidade tanto se chorou pela morte de uma pessoa como se chorou pela despedida da fada Diana porque, em meio às tempestades que tumultuam os corações humanos há dentro deles também pedaços substanciais da essência divina. Foram estes pedaços que se manifestaram quando a Princesa deixou o nosso convívio.
Agora o mundo também chora a ida do menino que disse que nós somos o mundo. Ninguém diz coisas belas e sábias se não tem dentro dele a beleza e a sabedoria. De alguns basta uma palavra, um poema, um escrito, uma música, um exemplo, um passo de dança, e com isto cumprem sua missão terrena.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





