ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de julho de 2009
Cláudia Romariz 
A mídia visual, se bem
feita e bem posicionada,
espelha a pujança
econômica do município
Londrina sempre foi conhecida como referencial de cidade bonita, agradável, com excelente qualidade de vida e pujança econômica. Um município bem visto até por quem nunca esteve aqui. A fama de Londrina como uma metrópole desenvolvimentista, impulsionada pelo ciclo do café nos anos 50 e 60, extrapolou os horizontes físicos e continua a atrair novas empresas e a fomentar empreendimentos. Profissionais liberais são constantemente seduzidos a pesquisar a região e a se inserirem no mercado local. Empresas aqui sediadas também contribuem para a divulgação da cidade como polo econômico importante no desenvolvimento do país.
No entanto, Londrina esteve esquecida pelos próprios londrinenses e não tem mais a paisagem de antes. Os cuidados com a arborização das ruas, com o cultivo das flores, com a capina dos terrenos que margeiam as avenidas e ruas importantes estão longe de como já foram um dia. Essa falta de cuidado com o meio ambiente respinga em mais setores e acaba por contagiar a autoestima da população refletida em desleixos tolerantes como o lixo jogado ao vento, os muros mal pintados, as calçadas quebradas, as placas mal escritas e mal produzidas, os outdoors que disputam metros quadrados na visão dos transeuntes.
Tudo isso forma um cenário esteticamente fora do lugar, dissociado das nossas tradições de cidade cosmopolita. As marcas do descuido são visíveis a olho nu e dispensam estatísticas. Não é preciso muito esforço para identificar as mazelas de Londrina, expostas agora nas paisagens do cartão postal da cidade. Somam-se a isso os buracos em referenciais vias de circulação e os problemas de trânsito intensificados pelo crescimento da frota e pela falta de civilidade da população quando exerce o papel de motorista e pedestre. A leitura da paisagem de Londrina hoje passa pela análise de todo este contexto. A cidade precisa ser limpa e tem urgência em voltar a ser linda, mas não podemos simplesmente imitar o exemplo de São Paulo, precisamos mirar no nosso próprio espelho e pensar segundo a nossa realidade.
Como profissionais representantes do negócio da comunicação, defendemos que a poluição visual precisa ser discutida, sendo urgente a regulamentação da mídia externa na cidade. Não se trata de excluir essa forma de comunicação do mercado e sim de criar parâmetros para que as informações veiculadas possam ser benéficas para o consumidor, contribuam para o crescimento das marcas e de empresas inseridas no nosso mercado e reflitam o contexto de cidade evoluída que é Londrina. A mídia visual, se bem feita e bem posicionada, espelha a pujança econômica do município e contribui com o fortalecimento de cidade progressista, conceito que sempre esteve aliado a Londrina e que se propagou pelo país.
Conclamamos os segmentos econômicos e as entidades de classe que abracem essa causa pela melhoria da paisagem da cidade em busca da harmonia perdida com a expansão demográfica e com o desleixo contagiante que se espalhou por anos. Vamos agir dentro de um planejamento estratégico que englobe a cidade em seu conjunto: um planejamento onde o todo seja a parte e a parte seja o todo, que seja participativo e que represente a sociedade. Vamos somar esforços para que, com ideias efetivas e comprometidas, possamos recriar uma Londrina melhor, mais humana, mais limpa, mais bonita e melhor para se viver. Esse espírito empreendedor que fez parte da construção da cidade precisa ser revigorado para que possamos ter energia e força de vontade em reedificar uma nova Londrina para o londrinense.
CLÁUDIA ROMARIZ é jornalista e presidente Associação dos Profissionais de Propaganda (APP) em Londrina


