A su­pe­ra­ção da
cor­rup­ção exi­ge
pes­soas e par­ti­dos
com per­fil ­íntegro





A transparência, a coerência e a honestidade são valores que aprendemos na educação ética. Desde tempos imemoráveis a humanidade codificou os mandamentos de Deus que foram acolhidos na Bíblia Sagrada como escola de vida pessoal e social. Os Dez Mandamentos defendem a vida, a verdade, a liberdade e a convivência humana.
De modo especial o sétimo e décimo mandamentos proíbem o roubo, a corrupção e exigem a restituição do que foi usurpado. O destino dos bens da terra é universal, é para todos. A corrupção é uma das piores deformações da sociedade. Ela começa, porém, no coração.
Atualmente, estamos passando por uma situação de denúncias de corrupção nos âmbitos dos Poderes constituídos. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou uma Nota a respeito destas questões com o título: ''Superação da corrupção na política: salvaguarda da ética e da democracia''.
Vamos agora conhecer a referida Nota que aqui transcrevemos: ''Nós, membros do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunidos em Brasília, nos dias 16 a 18 de junho de 2009, manifestamos indignação diante das repetidas acusações de corrupção nas instâncias dos Poderes constituídos. A corrupção e a decorrente impunidade constituem grandes ameaças ao sistema democrático''. (''Na verdade, a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro'' - 1Tm 6,10).
A corrupção aumenta o fosso das desigualdades sociais, como também a miséria, a fome e a pobreza. Além de ferir gravemente o princípio do destino universal dos bens, raramente se tem notícias sobre a restituição dos recursos e bens públicos usurpados. A corrupção trai a justiça e a ética social, compromete o funcionamento do Estado, decepciona e afasta o povo da participação política, levando-a ao desprezo, perplexidade, cansaço, revolta e ao descrédito generalizado, não somente pelos políticos, mas também pelas instituições públicas.
A imprensa e os órgãos públicos competentes têm divulgado a prática de comprovada corrupção nos meios políticos como um círculo vicioso, um hábito enraizado na inversão dos meios e do fim da ''coisa pública''. Ao mesmo tempo em que a mídia funciona como caixa de ressonância, denunciando os males presentes na vida política, muitas vezes pode semear na opinião pública a ideia da inutilidade do Congresso, desvalorizando a democracia.
Diversas instâncias da sociedade civil já se manifestam em favor da reforma política para, entre outros objetivos, sanar os males da corrupção sedimentados na vida pública. A Igreja quer contribuir para o bem comum, lembrando as exigências éticas do Evangelho. A política é um serviço ao bem comum, na construção da sociedade justa, fraterna e solidária. Os políticos devem ser pessoas dotadas de virtudes sociais, como competência, retidão, transparência e espírito de serviço, sendo os primeiros responsáveis pela ordem justa na sociedade.
A superação da corrupção exige pessoas e partidos com perfil íntegro para o exercício do mandado público. Convocamos a todos para que, através do projeto de lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos (projeto Ficha Limpa), da Reforma Política e outras mobilizações, possamos garantir eleições regidas pela ética em 2010, fortalecendo a participação e garantindo a credibilidade dos processos democráticos. Nesse sentido, a Igreja oferece por meio das escolas de fé e política uma concreta e valiosa contribuição.
Que Nossa Senhora Aparecida, serva de Deus e da humanidade, ajude o povo brasileiro a combater a corrupção, criando condições para uma sociedade justa e plenamente democrática.
Esperamos que esta Nota da CNBB nos encoraje na evangelização em prol da ética na política. Nossa missão é defender a vida, a justiça, a dignidade da pessoa e os direitos humanos. Para isso vamos formar nossos fiéis na dimensão social do evangelho e prepará-los para assumirem funções políticas como lugar de evangelização.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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