Por que não se ex­põe
cla­ra­men­te o que es­tá
por ­trás des­sa pos­sí­vel
mu­dan­ça de lo­ca­li­za­ção
do Tea­tro Mu­ni­ci­pal?





Não é surpresa: todo novo governante quer mostrar que tem algum valor. Ainda mais se for com um tema polêmico. Quanto mais controvérsia se levanta, mais se está na mídia. Até mesmo estas palavras contribuirão para esta celeuma, mas não podemos ficar calados. Ainda mais porque criticamos a falta de um representante da cidade na comissão julgadora do concurso nacional do Teatro Municipal de Londrina. Mas, agora, estamos com a maioria: é hora de defendermos o processo por mais que não tenha sido o ideal.
Todas as organizações e pessoas que estiveram à frente para que tivéssemos um bom projeto para o Teatro Municipal merecem todo o respeito profissional e ético. Temos que valorizar tudo que já foi empreendido. Não se deve simplesmente ignorá-las. Muito recurso foi gasto para que esta obra se realizasse. Temos que esquecer se o Teatro será um alicerce para o empreendimento privado adjacente, que por sinal está interrompido no momento.
Temos que esquecer que o projeto excedeu 30% sua área prevista no edital do concurso. Temos que esquecer também que o custo sairá muito mais alto. O importante é que fique bom, um exemplo. Temos que fiscalizar para que seja muito bem construído. Temos que refletir e questionar: o que poderá estar por trás desta proposta de mudança? O que deve estar além de todas estas conjecturas?
Lamento ainda não estarmos num estágio de desenvolvimento e cultura para compreender integralmente o que é arquitetura e urbanismo. Lamento que nossos mais representativos dirigentes não entendam o que é um bom projeto arquitetônico. Uma boa arquitetura não é algo que possa ser transplantado para qualquer lugar, como se fosse uma mercadoria qualquer.
O projeto do Teatro de Londrina leva uma infinidade de condicionantes para ser idealizado. Realmente estamos muito, mas muito longe das sociedades avançadas culturalmente. Aliás, a cidade deve ter suas grandes intervenções distribuídas de forma equilibrada para que todos os cidadãos possam usufruir dos empreendimentos públicos. Um ícone cultural - como o Teatro Municipal - pressupõe uma localização de fácil acesso a todas as camadas sociais da população. A escola de teatro, a música, a dança e as artes que estão agregados ao Teatro serão muito prejudicadas caso se confirme a mudança da sua construção do terreno do Marco Zero (Zona Leste) para o do Jardim Botânico (Zona Sul).
E, dentro destes aspectos, a localização próximo à referência histórica do Marco Zero e próximo de uma área degradada é ainda um local mais pertinente. Não é o ideal, mas no momento é o mais apropriado e mais acessível.
Portanto, a quem interessa o levantamento de mais esta polêmica? Por que não se expõe claramente o que está por trás dessa possível mudança de localização do Teatro Municipal? Se existe algum argumento técnico plausível, deve ser informado de forma transparente e discutido amplamente. A sociedade deve ser esclarecida.
Espero não estarmos presenciando mais uma cortina de fumaça para esconder problemas mais sérios. Esta obra pode ser mais um grande elefante branco mantido pelos nossos impostos. Temos certeza: nós é que vamos pagar ''o pato'' para a manutenção destas obras. O mínimo que se espera é que as estruturas públicas atinjam alto desempenho com pouco custo de manutenção, amplo dinamismo e uso intenso por parte da comunidade. E lá, junto ao Jardim Botânico, temos absoluta certeza que não será o local mais apropriado.
EDUARDO SUZUKI é arquiteto e professor na Universidade Estadual de Londrina

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