ESPAÇO ABERTO
Daniel Steidle
Dias atrás uma reunião surpresa agendada pela Prefeitura de Rolândia foi marcada e, meia hora antes de começar, acabou desmarcada. O assunto da reunião seria conhecer o projeto da deposição no município de todo o lixo do eixo de Maringá-Londrina. Sem divulgação de detalhes ou novas reuniões a notícia se espalhou, provocando revolta na população. Afinal, Rolândia - que já foi saudada como a Rainha do Café - já sofreu a fama de Fedolândia por causa de suas indústrias e de seu lixão.
A imagem do lixo, não só em Rolândia, causa repulsa. Empurrar o problema para longe, para o vizinho mais fraco, têm sido a solução. Perde-se a paz entre vizinhos. Fica de escanteio o que deveria ser o cerne da questão: a responsabilidade individual! Cada um cuidando do seu! Só assim vamos realmente aprender a não gerar tanto lixo. Neste cenário a educação deixaria de ser algo desconexo da realidade. Como sociedade precisamos conquistar nosso direito de participação ativa e consciente para não sermos suscetíveis a manipulações que jogam uns contra os outros.
Além dos espaços formais e da mídia temos hoje a mobilização on-line da era digital. Sem nos expor, podemos pressionar governos daqui e do mundo. Podemos derrubar os muros da lei do silêncio, da lei do mais forte, da fatalidade de decisões tomadas a portas fechadas. O que, partindo de poucas vozes, parece soar como uma declaração de guerra pode, na coletividade, ser compreendido como um esforço pela solução perene de nossos problemas. Um movimento pela paz.
DANIEL STEIDLE é educador ambiental em Rolândia
Ensinamentos de Francisco de Assis
Walmor Macarini
Em recente relato o santo Francisco de Assis nos relembra que, quando pela sua passagem terrena, aproximou-se bastante dos animais, porque conforme diz eles o fartaram de sabedoria. E exemplifica que devemos nos compreender com a majestade do cisne, com a força do cervo e com a alegria do golfinho. O cisne é delicado e flutua sobre a água e nem a perturba; o cervo observa calmamente o seu reino, atento e alerta, mas sereno; e o golfinho semeia alegria com suas brincadeiras. Isto nos ajudará a ligar o consciente ao inconsciente, que é o nível mais intuitivo do eu individual. Ele ensina que precisamos nos livrar de crenças limitantes sobre nós mesmos e a contemplar as qualidades que nos são inerentes. E que quando estamos diante de pessoas negativas ou depressivas devemos nos encher de pensamentos acerca do nosso eu verdadeiro, o eu primordial, que é a nossa realidade e não o corpo físico que ostentamos, e nos saber majestosos como o cisne, vigilantes como o cervo e alegres como o golfinho.
Seu ensinamento é que não devemos julgar os outros, mas amá-los como são e esta é a parte mais difícil, principalmente se eles nos contrariam e deixar que cada qual pense como quiser, mesmo que seus pensamentos não coincidam com os nossos. Não é fácil seguir por essa trilha, mas é a que nos leva para a paz pessoal e coletiva. Francisco de Assis já era um mestre de grande luz ao aportar na Terra, e devemos considerá-lo e aos demais da mesma hierarquia celestial como autoridades espirituais que temporariamente desceram a esta paragem para deixar seus exemplos e ensinamentos.
Eles formam legiões e compõem um só poder, embora as revelações se façam mais frequentemente por aqueles que foram mais conhecidos da humanidade ao longo dos milênios. Os seres humanos não foram suficientemente instruídos para a linguagem da alma e dos reinos do superconsciente. Por isso as muitas dúvidas e os temores. Mas somos corpos de luz e carregamos em nós a consciência de Deus e da eternidade.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





