ESPAÇO ABERTO
Teatro Municipal: público x privado
Atsushi Yoshii
O crescimento de uma cidade se faz com a união dos setores público e privado. Como apostar nessa união se a possível mudança de localização do Teatro Municipal de Londrina ameaça a boa iniciativa privada em favor do desenvolvimento da cidade? O projeto do Marco Zero, idealizado por um grupo empresarial, é fruto de um minucioso estudo em favor da valorização de uma região repleta de significado e história. Após adquirirem uma grande área, doando parte desse terreno para o Teatro, os empresários, juntamente com a Prefeitura, iniciaram um longo trabalho - envolvendo até um concurso - para a construção da obra e de outros projetos adjacentes. Tudo amplamente debatido com o poder público.
Já prestes a iniciar a construção, ouve-se dizer que o Teatro pode ser construído em outro lugar. Não se trata de apoiar este ou aquele governo, nem questionar a viabilidade da construção em uma nova área, mas do setor público honrar com os compromissos assumidos com o setor privado que garantirão o desenvolvimento e a valorização de toda uma região. Veja o exemplo da construção do Shopping Catuaí e tudo o que mudou naquela região. O mesmo se deu com a Gleba Palhano. Assim será com o Marco Zero.
O empresariado vai ganhar? É óbvio. Mas tanto quanto ganhará a população da Zona Leste, com a valorização dos imóveis, e a cidade, uma vez que já existe um corredor cultural naquela área com o Museu de Arte Moderna, o Museu do Imigrante, a Praça da Imigração Japonesa, sem falar na leitura que esta região tem para Londrina, com suas histórias e pioneiros. Há uma coerência cultural, comercial, histórica para o Teatro ser construído nessa área central, além do público ter um acesso facilitado.
É lamentável, do ponto de vista empresarial - uma vez que a iniciativa privada fará toda a infraestrutura dessa região - ver o poder público mudar de ideia inexplicavelmente. Como fica o empresariado? Que tipo de parceria pode-se prever no futuro com o poder público? Não se pode desmantelar um projeto desse porte por interesses políticos. Boas iniciativas devem ser apoiadas, pois todos ganham: a população, a cidade, o empresariado.
ATSUSHI YOSHII é empresário da construção civil em Londrina
O número que não funciona
Ricardo Augusto de Leão
O número único de Registro de Identidade Civil (RIC) deve começar a ser implantado este ano pela Polícia Federal. A intenção é que, em nove anos, 150 milhões de brasileiros tenham o RIC. Para a implementação deste número, deverá ser feita a integração de todos os institutos de identificação do País. Os órgãos regionais receberão estações de coleta e os dados serão centralizados.
Para que o RIC seja possível, precisaremos de um movimento integrado nos cartórios de registro civil, responsáveis pelo primeiro número de identificação dos brasileiros. O problema é que muitos destes locais não possuem informatização. Chega a ser irônico pensar que a ferramenta para execução do projeto RIC, adquirida em 2004 na aquisição do Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais custou aproximadamente US$ 35 milhões para o governo federal. Este dinheiro deveria ter sido utilizado para a infraestrutura base deste programa, que são os cartórios. Existem cartórios que chegam a fazer um ou nenhum registro por mês e têm rendas baixíssimas.
Primeiro deveria ser feito um trabalho junto aos cartórios, depois em cada órgão de identificação e quando todos estivessem preparados tecnologicamente, poderiam se iniciar as ações em prol do RIC. No final de 2008 foi lançado o Programa de Informatização do Registro Civil no Paraná, cujo objetivo foi facilitar os pedidos de segunda via de certidões de nascimento, casamento e óbito, que poderão ser solicitados pela internet, com entrega em dois dias. Estamos trabalhando com ações de incentivo em todo o Estado para conscientizar os cartorários da importância da informatização. Este projeto deveria ser realizado em todo o território nacional e seria o primeiro passo para o sucesso do RIC. Mas o governo preferiu gastar todo o dinheiro com uma ideia que não poderá ser concretizada.
RICARDO AUGUSTO DE LEÃO é vice-presidente do Instituto de Registro Civil de Pessoas Naturais do Paraná





