ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Christian Steagall-Condé 
Se nossos colegas ou
mesmo a sociedade nos
apontar outro terreno
que demonstre ser 1%
melhor, reabriremos
o debate público
Destino Manifesto é um binômio que significa, literalmente, ''óbvio'' (manifestar) e ''certo'' (destino). Hoje o utilizamos quando queremos pré-definir algo que ''está na iminência de acontecer'', termo mais que apropriado para as demandas que se convergiram para a existência física do Teatro Municipal de Londrina.
O Teatro é fruto da reivindicação dos empresários e gestores culturais que remonta a história urbana dessa cidade. O Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), em Londrina, foi o responsável pela organização silenciosa e de bastidores do concurso nacional do projeto do Teatro aberto a arquitetos brasileiros bem como pela indicação do projeto vencedor - um primor de adequação e de consideração às demandas de uma urbe com seu meio milhão de moradores e cidade-polo com bem mais de 1 milhão de habitantes.
O IAB é uma organização civil sustentada pelos seus arquitetos associados e possui larga experiência com mais de 40 anos de gestão em concorrências públicas e privadas - todas com 100% de sucesso nos quesitos ética, escolha e soberania. Está sempre atento ao compromisso de indicar o rumo da tecnologia e das adequações estéticas e compromissos históricos, do saber fazer da arquitetura, sejam nossos contratantes os governos federais, estaduais ou municipais, os militares, as empreiteiras, os incorporadores urbanos, as universidades ou um grupo de investimento particular, sejam essas organizações geridas por nacionais ou por capitais estrangeiros.
Poucos percebem a existência de um IAB (comparando, apenas como exemplo, com nossos colegas da OAB), porém, nossas decisões interferem positivamente no destino de milhares de pessoas e, por vezes, de cidades inteiras. Atuamos nos momentos críticos e, após conhecido o resultado avalizado por nós, saímos de cena para darmos cadeira às demandas subsequentes, como é o caso do Teatro Municipal: passamos de gestores dos processos iniciais (o concurso e a escolha da arquitetura em si) a inspetores do processo que continua, mesmo depois de cortada a fita inaugural.
Adicionalmente, as gestões dos IABs evitam que prefeituras raciocinem baseadas em clichês como, por exemplo, algum secretário propor que se chame algum arquiteto de grande vulto e impeça que novos talentos se firmem profissionalmente. O que pode deixar os novos profissionais à sombra dos escritórios ''hors-concours'' que recebem o grosso dos projetos nacionais e impedem que a arquitetura brasileira seja múltipla, distinta e se regionalize.
A verdadeira ''gleba urbana'' onde funcionou por décadas um entreposto da Anderson Clayton delineia-se agora como nosso ''Destino manifesto'' para a construção da sonhada superestrutura cultural. E se nossos colegas arquitetos - ou mesmo a sociedade civil organizada - nos apontar outro terreno que demonstre ser 1% melhor de onde está indicado hoje, nós do IAB reabriremos o debate público. Porém, nossa experiência profissional em planejamento, desenho e construção não indica absolutamente nada existente no palco urbano londrinense que justifique tal mudança. Essa possibilidade trata-se mais de mera sugestão de gabinete inconsequente, ainda mais que o projeto contempla o ''portal'' da região Leste, área carente de investimentos públicos de grande porte há algum tempo.
O IAB Londrina, junto com o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) e o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), está sempre presente nas demandas que digam respeito à vida urbana contemporanêa e participa ativamente da atualização do Código de Posturas do Município. Vale lembrar que foi de nosso registro, cerca de dois anos atrás, a primeira sugestão de implantação do protocolo ''Cidade limpa'', levado a bom termo na cidade de São Paulo.
CHRISTIAN STEAGALL-CONDÉ é arquiteto e vice-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil em Londrina


