ESPAÇO ABERTO
O MP e o futuro do Brasil
Servio Borges da Silva
O fortalecimento das instituições é um dever de todas as autoridades e um princípio inquestionável para o desenvolvimento da sociedade e a pacificação da comunidade. Esse fortalecimento vai se refletir em todos os setores da comunidade pacífica elevando o nível de sanidade e de moralidade da gestão pública. Por isso, cada instituição deve ser preservada, melhorada. Isso não é o que vai ocorrer se for aprovada no Congresso Nacional a chamada Lei da Mordaça contra o Ministério Público (MP).
O MP tem se revelado de uma eficiência invulgar e admirável no sentido de dotar o País de uma nova mentalidade na aplicação das leis e da Justiça. Tem procurado ainda forjar uma verdadeira e durável justiça social, que é o fim perseguido por todos os que defendem a cidadania e os direitos individuais e coletivos.
A atuação dos procuradores e promotores de Justiça deve continuar como está, mais ainda porque é apoiada por todos os setores da sociedade, tendo em conta as funções que aceitou patrocinar a partir da Constituição de 1988 como a defesa de inúmeros direitos individuais e coletivos. Entretanto, alguns políticos - notórios ficha suja - promovem uma verdadeira perseguição contra o Ministério Público tentando impor a chamada Lei da Mordaça com o objetivo de punir os casos de improbidade administrativa julgados improcedentes. Alegam exageros por parte de alguns membros do MP, daí porque pretendem impor uma lei draconiana para impedir a atuação honesta e limpa dos procuradores e promotores de Justiça.
No entanto, a atuação sempre equilibrada e séria dos membros do MP tem demonstrado o vigor e o valor dessa instituição. Como revela o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza: Cada um tem o juízo de como deve se conduzir num cargo público. No meu caso, as minhas aparições têm que ser em momentos muito seguros. Essa Lei da Mordaça presta um desserviço à causa nacional e tenta novamente tolher o trabalho daqueles que lutam por causas justas e sérias e querem um Brasil civilizado sem os vermes da corrupção.
SERVIO BORGES DA SILVA é advogado em Londrina
Pelo despertar das consciências
Walmor Macarini
Não será apenas pela via da alfabetização, do ensino convencional e da disseminação da cultura que a humanidade irá se melhorar, mas sim pelo despertar das consciências. Foram renomados cientistas que urdiram as bombas mortais; foram técnicos altamente especializados que as produziram, assim como outros sofisticados artefatos de guerra; foram intelectuais que engendraram planos de conquista e dominação; foram estrategistas formados nas melhores universidades que ensinaram as artes da competição demolidora.
Igreja, escola e família que formam o tripé da formação do indivíduo pouco contribuíram para melhorar o mundo, porque estribaram-se em dogmas e em estratégias e costumes pragmáticos. Ressalvadas as exceções, as igrejas buscaram sobretudo amealhar adeptos e repassar-lhes ensinos de religiosidade e não de despertamento para a espiritualidade; a escola não buscou metodologias que produzissem o homem solidário; e a família não ensinou o culto a valores maiores como a cooperação mútua e o partilhamento.
Todos já somos poderosos e soberanos, porque dotados do dom divino, então não precisamos, nesta curta passagem terrena (mesmo que em inúmeras vidas sucessivas), estabelecer um estado de competitividade entre nossos coirmãos. O aperfeiçoamento profissional e de produtos e serviços é necessário para tornar melhor a vida de todos, mas que isso não ocorra por via de disputa.
A formação de executivos empresariais dá muita ênfase ao confronto com a denominada concorrência. Parece que os citados concorrentes são um desafio a vencer, quando eles são apenas iguais no mesmo ramo de negócio. O resultado global disso é a guerra entre nações. Porque esta começa nas competições individuais, depois nas empresas ou grupos e nas grandes corporações, culminando com a mobilização de governos e exércitos.
Quem produz os grandes conflitos não são os outros, mas cada um de nós. Também sabemos produzir obras boas e majestosas. É importante educar, mas sem a obsessão de entulhar de conhecimentos a cabeça do estudante e sem tanto acumular cultura, mas ensinando também valores mais elevados que tratem da relação amistosa com todas as pessoas.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





