ESPAÇO ABERTO
O emprego não é mais da empresa
Roberto Sotomaior Karam
Continuamos sentindo os reflexos da crise econômica mundial, mas algumas ações já voltaram a estimular o consumidor, aliviando a situação de algumas empresas do setor metalmecânico. Muitas pessoas compraram veículos novos para aproveitar os incentivos concedidos pelo governo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Esta ação impulsionou as vendas de automóveis, caminhões e ônibus.
As vendas saltaram 36% em março sobre fevereiro e subiram 16,89% em comparação com o mesmo mês de 2008, segundo a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Esta foi uma ótima notícia para o setor, mas é preciso lembrar que vivemos um momento de incerteza e que a economia precisará de tempo para se recuperar. Prova disso é que a própria Fenabrave tem um cenário desfavorável, embora não trabalhe com ele, que aponta queda das vendas de 3,09% neste ano, podendo chegar a um recuo de 4%.
Outra preocupação dos empresários do setor é a manutenção dos postos de trabalho. Está em debate no Congresso o término da demissão sem justa causa nas empresas privadas. Se esta medida for aprovada, dificultará ainda mais a abertura de novas vagas. A sociedade deve entender o quão prejudicial será esta ação para o desenvolvimento do país. A taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas ficou em 8,5% em fevereiro. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população desocupada subiu 2,7% em relação a janeiro - um acréscimo de 51 mil pessoas. O total de trabalhadores fora do mercado em fevereiro alcançou 1,9 milhão.
O quadro deve aumentar se as medidas propostas forem aprovadas, pois fomentam a insegurança dos empresários na hora de contratar. Se esta situação ocorrer, o empresariado não terá mais direito sobre o emprego que gera e a tendência será o posto de trabalho não pertencer mais à empresa, e sim a outros órgãos institucionais.
ROBERTO SOTOMAIOR KARAM é presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal)
Motivar mas também conscientizar
Walmor Macarini
As religiões têm sido necessárias para manter a chama da crença em algo superior que transcende a condição humana. Se a humanidade não evoluiu muito com elas espiritualmente, é porque tinha de ser assim por algum tempo, para que o avanço fosse gradativo. Não entendereis ainda, disse Jesus a seu tempo. Embora as muitas citações de iluminados mestres do passado e do presente, o primordial não foi ensinado, que é a divindade e o poder do indivíduo como centelha de Deus.
Mas as religiões cumpriram seu papel até aqui por semear a esperança da continuidade da vida depois desta. Elas foram o fogareiro que manteve aquecida a fé, mesmo que o ser humano desconhecesse (como desconhece ainda, em grande maioria) a sua origem divina e a sua igualdade essencial com os santos.
Sábado este Jornal publicou reportagem mostrando que algumas igrejas bíblicas buscam aproximar-se mais dos jovens, oferecendo-lhes música de ritmo dançante e web rádio, unindo entretenimento e doutrinação. Há relatos de jovens com dependência de drogas que se curaram por fé ou por enturmar-se com pessoas diferentes e avessas a vícios como esse.
Tudo isto é bom, mas será necessário não apenas motivar mas também conscientizar. Chegou o tempo de uma maior abertura dos portais da consciência para o ser humano saber por que nasceu neste planeta, por que vive e por que passa por tribulações e para que compreenda as coisas que existem e acontecem ao seu redor. É preciso que cada um se conscientize de que é um ser de grande luz e possuidor de todos os atributos divinos.
Apresentar Jesus é o que esses encontros de jovens propõem, porém melhor é conhecer e praticar os ensinamentos do Mestre. Depois dos momentos alegres dessas reuniões poderiam ser realizadas meditações em grupo, longe de ruídos, porque o silêncio estabelece conexão com as fontes de luz e permite que cada um ouça a voz do seu Eu Superior. As exteriorizações mantêm o estado de ânimo, mas é na recorrência ao profundo do ser que as revelações se operam.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





