Vivemos como se a política não fizesse parte da nossa vida, como se ela fosse apenas para ''políticos''. Pouco se pergunta e se divulga quanto a cidade investiu em educação para tentar melhorar a sua média de nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), quanto foi gasto com centros de educação infantil, com a saúde, com a criança e o adolescente e quanto isso representa no orçamento geral. A sociedade também não questiona ou pede prestação de contas sobre o uso do dinheiro público. Quem de nós participa da construção da cidade ou apenas se preocupa em construir seu próprio patrimônio e o quanto ele está distante das favelas? Existe em nós um censo crítico que nos leve a questionar o quanto deste mundo é importante e o que deixaremos? Ora, isso é fazer política!
Minha pretensão aqui não é definir política, é trazer à discussão quanto a sociedade civil organizada participa da política, quanto nossa omissão implica na montagem dessa sociedade e como é importante a participação de todos para que tenhamos um mundo mais justo e equilibrado, possibilitando que nossas crianças e adolescentes tenham um futuro mais digno.
Segundo Aristóteles, o Estado é imprescindível no contexto social. O homem é um animal social e político por natureza. E esse homem, enquanto animal político, tem necessidade natural de conviver em sociedade, de promover o bem comum e a felicidade. A polis grega encarnada na figura do Estado é uma necessidade humana. Não existe homem que não necessite viver em sociedade, seja a família, os colegas de trabalho, etc. Para Aristóteles, toda cidade é uma forma de associação e toda associação se estabelece tendo como finalidade algum bem. A comunidade política forma-se de maneira natural pela própria tendência que as pessoas têm de se agrupar. E aí entra o papel do Estado na estruturação da sociedade, provendo e dando condições para que os direitos fundamentais instituídos pela Constituição Federal sejam garantidos.
Assim, se faço parte de uma cidade e de uma sociedade, a política é imprescindível. Como ficaremos se não respeitarmos a lei de zoneamento, a poluição visual, o controle de tráfego? Todas estas questões esbarram na política. A política da saúde, por exemplo, vale para todos. Cada um de nós pode e deve contribuir e atuar para a construção das políticas públicas decorrentes da vida em sociedade. A sociedade civil organizada trabalha muito em Londrina. A cidade possui 67 centros de educação infantil filantrópicos contra 11 geridos pelo governo municipal; dos 14 abrigos para crianças, dez são filantrópicos e quatro municipais. Entretanto, cada qual trabalha na sua entidade e busca fundos para mantê-la, mas todos ficam alheios à política.
O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) é responsável pelas políticas públicas relacionadas ao público infanto-juvenil. É um conselho deliberativo, ou seja, ele discute, avalia e propõe políticas e ações que irão refletir hoje e daqui a muitos anos. Pode exigir o cumprimento das mesmas. É um órgão paritário (quando a sociedade o compõe) composto por 12 membros efetivos do governo e 12 membros da sociedade. Mas a sociedade participa? Hoje a sociedade civil pela primeira vez será eleita em um fórum próprio, separado da Conferência Municipal, e poderá votar e ser votada para eleger 24 representantes que comporão o CMDCA (12 titulares e 12 suplentes). Fica aqui o convite e o pedido para que nos envolvamos e para que a sociedade se engaje na luta da criança e do adolescente.

PATRÍCIA GRASSANO PEDALINO é advogada, presidente da Associação Mãos Estendidas e conselheira municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (representante da sociedade civil)

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