ESPAÇO ABERTO
Suíno, sim. Porco, não!
João Sampaio
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), será preciso aumentar a produção mundial de carne em 20% no período 2000/2030. A maior expansão ficará com a de aves (40,4%) e a menor com a bovina (12,7%). Os pescados e suínos terão crescimento de 20%. Hoje a suína, embora o dado não seja amplamente conhecido, é a mais consumida no mundo com média de 15,9 quilos por habitante/ano. O índice relativo às aves é 12,6 e aos bovinos, 9,4.
A análise evidencia o significado das carnes como fonte de proteína e a importância dos suínos. Na visão da segurança alimentar, é necessário ampliar a produção mundial e evitar as instabilidades que geram impacto na disponibilidade, preços e consumo per capita. O desafio é item relevante da agenda multilateral. No campo sanitário, acordo administrado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) regula a aplicação racional de medidas para harmonizar as políticas e elevar a proteção à saúde pública.
Assim, é indefensável sob o ponto de vista econômico, médico, sanitário e lógico a decisão da Rússia e da China de bloquear as importações de carne suína e derivados em consequência da gripe A (H1N1). É tão insensato quanto o abate de 300 mil animais no Egito, num mundo em que um bilhão de seres humanos está submetido à insegurança alimentar e no qual as pessoas precisam de proteína para viver e se fortalecer contra o contágio de doenças infecciosas. Apesar do nome original, a moléstia, como já esclareceu a Organização Mundial da Saúde (OMS), é transmitida entre seres humanos, inexistindo risco de infecção pela ingestão da carne e derivados.
O substantivo porco, em sua acepção semântica conotativa de ausência de higiene e de animal afeito à sujeira, à lama e à lavagem, há muito não corresponde ao rebanho nacional. É imprescindível combater as informações equivocadas, esclarecer a opinião pública e demonstrar a verdade sobre a gripe A e os avanços da criação de suínos no País. Não podemos cruzar os braços!
JOÃO SAMPAIO é economista e secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
Aprender a lidar com a morte
Walmor Macarini
Psicóloga entrevistada por este jornal indica caminhos para as pessoas lidarem com a morte dos que lhes são próximos, mas talvez por respeito a cada crença não incursiona pelo que é desconhecido da grande maioria, ou seja, o que na sequência acontece para aqueles que passam por esse desenlace. As revelações mediúnicas e canalizadas relatam que a vida logo depois desta vida continua mais ou menos idêntica, até que cada um evolua para planos mais elevados.
Assim, quem tinha aqui um vício, continua com ele, até curar-se. Se aqui é difícil abandoná-los, não é diferente logo adiante só porque houve um despojo carnal. No degrau imediato após a morte o corpo astral conserva quase todas as características físicas, portanto, com as mesmas necessidades. Se as pessoas não aprendem a lidar com isto aqui na Terra, no outro lado será igual. Há ajuda, mas muitos nem querem ser ajudados, porque (ressalvadas as exceções) também aqui um viciado em droga, fumo ou bebida e praticante de outros males também tem dificuldade em mudar hábitos e comportamentos.
A hora de mudar é agora. E não apenas com os vícios mas com as paixões obstinadas, invejas, intolerâncias, ressentimentos, ganâncias, prepotências. Temos de lidar com o preparo de nossa própria morte, porque a simples passagem desta vida para outra não alumiará a mente de ninguém que esteja no obscurantismo. Só quem já estiver banhado pela luz do entendimento seguirá pelo caminho mais iluminado.
No plano astral (que é o primeiro onde chegamos, depois deste) existem os deploráveis umbrais, clínicas e hospitais de cura, escolas de aprendizado evolutivo e tarefas por realizar. E muito provavelmente a preparação para retornos, a fim de se cumprir resgates. Mortes em grupo como as que ocorreram agora com a queda do avião no mar são geralmente carmas coletivos.
Mais do que lidar com os momentos amargos do sepultamento e da separação (citados na entrevista) será preciso ir lidando com esses entendimentos. A morte é um anoitecer e um simultâneo alvorecer. O ruim não é a morte e sim tudo o que se fez de torto antes dela.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





