ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de junho de 2009
Lygia Pupatto 
A matriz determinante
é uma economia mais
competitiva, com mais
e melhores empregos
e maior coesão social
Muito se fala na crise dos mercados financeiros, que se torna gradativamente uma crise geral da economia, produção, emprego e renda da população. É nosso dever aprofundar a reflexão sobre o tempo que vivemos e como vamos sair dele.
Antes da crise, vínhamos construindo um mundo impossível: economicamente irracional, socialmente injusto e ambientalmente insustentável. Não sabemos muito bem como pudemos caminhar tão persistentemente e durante tanto tempo para um desastre anunciado... Estamos evoluindo lentamente de padrões de consumo obscenos nos países ricos, níveis de poluição insuportáveis e desigualdades generalizadas e crescentes. Expressões como consumo consciente, comércio justo, produção em ciclo fechado, química verde, zero resíduos, energias renováveis e economias locais vivas já estão presentes no nosso vocabulário. O que antes parecia utopia, hoje começa a delinear um mundo diferente, e possível.
Se desejamos mudar este sistema, precisamos compreender para onde se deslocou o verdadeiro poder que move suas engrenagens: o poder da informação e do conhecimento. O domínio da ciência, tecnologia e inovação significa, ao longo de décadas, a detenção da riqueza e supremacia dos países mais ricos. Do horror da máquina de guerra à produção de alimentos, das comunicações ao desenvolvimento de remédios, dos transportes ao sucesso nas trocas comerciais. Este é o verdadeiro poder, e democratizá-lo pode significar a construção de um mundo melhor.
Por isso, falamos sobre a chamada economia do conhecimento. Sua estratégia global consiste na transição para a economia baseada no conhecimento, através da universalização da sociedade da informação, fomento ao desenvolvimento e inovação para competitividade nos mercados; modernização do modelo social com investimentos nas pessoas e combate à exclusão, promovendo igualdade, paz e qualidade de vida; e políticas macroeconômicas para o crescimento sustentável, compatíveis com o consumo de recursos com renovação garantida.
Não é pouco, mas devemos crer que é possível. Inclusive porque esta estratégia não pode prescindir um modelo aberto e democrático de coordenação que lhe garanta uma direção coerente, o acompanhamento do progresso das ações e a salvaguarda da dimensão cultural, pelo reforço da cidadania, promoção da igualdade de gênero e proteção às diversidades étnica, linguística e religiosa. Aí está boa parte da responsabilidade dos governos.
O Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), desenvolve importantes projetos, dentro do programa Universidade Sem Fronteiras, com investimentos de R$ 40 milhões e objetivo de levar ciência e tecnologia produzidas nas universidades e instituições de pesquisa para o benefício da sociedade. Participam professores, estudantes e recém-formados.
Estamos implementando vários projetos voltados à melhoria da competitividade das micros e pequenas empresas, com o desenvolvimento de novos produtos e processos e melhorias de gestão, como o extensão tecnológica empresarial, extensão industrial exportadora e pró-APL. Assim, contribuímos para o desenvolvimento econômico do nosso Estado, para a geração de melhores empregos e crescimento da renda da população.
A matriz determinante é uma economia mais competitiva, com mais e melhores empregos e maior coesão social, e também um espaço de cidadania e de participação democrática. Isso é o que deve ser feito, e não para superar uma crise circunstancial, mas para superar um modelo de desenvolvimento que fracassou, e como legado para que novas gerações tenham meios de construir um mundo melhor.
LYGIA PUPATTO é secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná


