ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Mauro Scharf 
A manutenção de um peso
adequado e a ingestão de
vitamina D, cálcio e
proteínas, bem como a
atividade física regular,
são também fundamentais
para a saúde óssea
O período mais importante para a construção de um esqueleto forte e saudável acontece durante a infância e a adolescência. A resistência óssea depende tanto do tamanho ósseo como dos minerais que este osso contém. Os maiores ganhos de dimensão, massa óssea e conteúdo mineral ocorrem na adolescência. É na puberdade que as alterações hormonais causam o iniciar da maturidade sexual e, ao mesmo tempo, levam a uma rápida aceleração do crescimento ósseo. Nesta fase, os ossos ficarão não só mais longos, mas mais fortes e mais densos e as pessoas atingirão seu pico de massa óssea ou o seu tamanho ósseo máximo no final da adolescência, próximo aos 20 anos de idade.
É perto dos 30 anos que os ossos começam lentamente a perder sua massa e, quanto mais massa óssea tivermos depositada no nosso ''banco ósseo da infância e adolescência'', melhor suportaremos as inevitáveis perdas ósseas e estaremos mais bem protegidos da osteoporose e das fraturas ósseas, frequentes na terceira idade.
O que afeta a saúde óssea da criança? Desde os genes que herdamos, até nossos hormônios e nosso estilo de vida. Todos, de alguma forma, afetarão o nosso pico de massa óssea. Os fatores genéticos têm a maior influência no pico de massa óssea, mas para atingir o potencial genético uma criança precisa de níveis adequados de hormônios, ao longo de uma alimentação saudável e de uma atividade física frequente.
O hormônio do crescimento e os hormônios sexuais, testosterona e estrógenos, são essenciais para a construção da massa óssea tanto em meninos quanto em meninas. A manutenção de um peso adequado e a ingestão de vitamina D, cálcio e proteínas, bem como a atividade física regular, são também fundamentais para a saúde óssea. O cálcio é o principal mineral no osso e a quantidade de ingestão correta da vitamina D auxilia na absorção do cálcio.
Exercícios que sustentam o peso como corridas e saltos ajudam a construir músculos e ossos fortes. Meninas adolescentes precisam ter cuidado com suas dietas a intensidade das suas atividades físicas, pois podem ter seus ciclos menstruais alterados e interrompidos nos casos de exercícios excessivos ou perda abrupta de peso, bem como na anorexia. Meninas que nunca menstruaram ou pararam de menstruar, frequentemente apresentam baixos níveis de estrógenos, o que pode prejudicar a sua saúde óssea. Se necessário, a massa óssea pode ser avaliada por um exame radiológico chamado DXA-scan.
A maior parte da vitamina D é produzida quando nossa pele é exposta à luz solar. Crianças obtêm suas quotas de vitamina D brincando ao ar livre, mas é difícil dizer se estão recebendo a quantidade suficiente, uma vez que poucos alimentos naturalmente contêm vitamina D. Leites e fórmulas infantis são suplementados com esta vitamina. É importante conhecermos esses produtos, bem como as quantidades de vitamina D e cálcio que eles carregam. Um simples exame de sangue pode determinar a quantidade da vitamina no sangue.
Devemos também lembrar as condições que podem afetar a saúde óssea das crianças. As mais comuns são desordens hormonais, como deficiência de hormônio do crescimento, deficiência de estrogênio e testosterona - hipogonadismos, e diabetes. Também são destaque as doenças crônicas como doenças inflamatórias reumatológicas ou intestinais, câncer, doenças que levem à imobilidade como distrofia muscular, paralisia cerebral. O uso de alguns medicamentos também entra neste rol. Os principais são corticosteróides (artrite reumatóide, asma etc.), anticonvulsivantes e imunossupressores.
As questões comportamentais que podem afetar a saúde óssea das crianças são, principalmente, inatividade física prolongada, exercício excessivo levando à amenorreia e tabagismo.
Devemos traçar um plano para nossos filhos, para assegurar bons hábitos de saúde óssea. A ingestão de alimentos ricos em cálcio e a prática de atividade física devem ser encorajadas. Falar sobre a saúde óssea com as crianças deve ser uma prática corriqueira.
MAURO SCHARF é médico endocrinologista em Curitiba


