ESPAÇO ABERTO
Museus municipais e turismo
Paulo Henrique Martinez
Os museus municipais no interior do país costumam ser pouco visitados. A exposição única e permanente, causando a perda de atrativos e de estímulos, a persistência dos custos, a redução e o afastamento sistemático do público unem-se contra essas instituições. Elas perdem interesse e deixam de ser apreciadas pela população, prefeitos e técnicos. A renovação frequente das exposições, bem como o atendimento especializado, a integração do museu na paisagem urbana e social das cidades, ao contrário, elevam o prestígio e a difusão dos museus municipais. Basta envolver a população local, turistas, visitantes, escolas e poderes públicos, promovendo ações de interesse coletivo.
Redefinir a política de museus é o maior e mais eficiente investimento para o aproveitamento do potencial turístico existente nos acervos e nas instituições museológicas. Muitas parcerias podem acontecer para torná-las polos de atração de público variado. No mundo globalizado em que as facilidades nas comunicações, o progressivo bem-estar social e o consumo de massa promovem o ecoturismo, os roteiros cultural e histórico, a inserção social dos museus nas cidades brasileiras deve ser estimulada. É necessário aproveitar os impactos positivos dos museus em termos econômicos e sociais. Uma perene e dinâmica programação educacional, propaganda e divulgação na mídia, o estabelecimento de roteiros museológicos locais e regionais, de circuitos culturais, são também alavancas promocionais para a integração entre turismo e museus. O apoio técnico e a formação de profissionais podem vir das universidades.
É preciso e desejável ligar os museus ao desenvolvimento econômico e humano. Desta associação poderá resultar a criação de novos empregos, a melhoria da qualidade de vida, o fortalecimento da cidadania, o aprimoramento da educação e do ensino escolar, a preservação ambiental e cultural, e maior integração social pelas práticas da tolerância, do respeito, do conhecimento, da cooperação e da solidariedade. E o melhor, a apreciação sem a degradação, assegurando o desenvolvimento regional sustentável pelo Brasil afora.
PAULO HENRIQUE MARTINEZ é professor e coordenador do Laboratório de História e Meio Ambiente no departamento de História da Universidade Estadual Paulista em Assis (SP)
Sem ódio e anseio de vingança
Walmor Macarini
Estes tempos turbulentos que abalam o mundo, incluindo a corrupção no meio político no Brasil, fazem parte de um doloroso processo de purificação, previsto para esta era. Será preciso compreender, com responsabilidade e com sentimento de perdão. E perdoar não quer dizer omitir-se mas tomar atitudes adequadas que não nos maculem pelo ódio e anseio de vingança. Porque senão nos tornamos iguais.
Não podemos sujar nossas mãos, significando não manchar o coração, porque os tempos de transição são chegados e não devemos acrescentar mais peso às nossas cargas. Incrível que pareça a muitos, cura-se muitas coisas com bordoadas destas carregadas de boa intenção mas cura-se também pela oração, pelo culto aos bons sentimentos em favor das pessoas que se desviam e de toda a humanidade. Tudo o que fizermos, que seja em favor do coletivo. Porque é assim que nos melhoramos individualmente, e se vamos ficando melhores, melhoramos também os que estão à nossa volta. A humanidade sempre viveu em conflito, porque este começa no âmago de cada indivíduo e se propaga até chegar a um ponto de explosão. E todos vimos que isto não deu certo. Temos que desensarilhar as armas e travar um bom e melhor combate. Isto quer dizer o cultivo da não violência (para não sermos semelhantes àqueles que nos violentam) e saber que estamos envolvidos no processo.
Sobre os políticos, hoje tão abominados, devemos saber que também somos partícipes de seus desmandos. E não apenas pela nossa omissão porque apenas nos atribuir essa culpa e dar de ombros nos deixa numa cômoda posição mas porque cada um de nós é igual a eles em muitos comportamentos diários. Isto porque alimentamos as chamas de competição, ira, inveja, vaidade, ganância, desatenção, irresponsabiliade, desrespeito explícito e oculto aos outros e a nós mesmos, e sobretudo maledicência (presente em grande parte de nossos sentimentos e palavras). E como essas chamas se propagam, robustecem o inconsciente coletivo formando uma incandescente atmosfera, que envolve a todos. Temos de começar a mudar e isto depende de um decidido propósito individual.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





