ESPAÇO ABERTO
Economia, trabalho e políticas sociais
Patrus Ananias
O trabalho é elemento fundamental da pessoa e tem valioso papel na construção do bem comum, o que nos faz pensar em relação de complementaridade com as políticas sociais, não numa perspectiva excludente. Temos o desafio de repensar grandes temas com vistas a restabelecer uma situação de proteção ao trabalhador e preservar um bom equilíbrio no processo produtivo. Destaco a discussão sobre segurança no trabalho, tema em voga nos anos 1970. O objetivo de se discutir a segurança no emprego é promover uma valorização no contrato de trabalho, conferindo-lhe mais dignidade, de modo que o trabalhador não fique à mercê da subjetividade do empregador.
O contrato de trabalho é um instrumento bilateral, mas a demissão permanece um ato unilateral porque a legislação trabalhista permanece tolerante nestas questões. Temos de aperfeiçoar nossos mecanismos contra demissões em massa arbitrárias. Essa compreensão parte do pressuposto de que a insegurança do trabalho não fortalece vínculos profissionais, não cria ambiente seguro para produção e traz consequências danosas à sociedade, porque taxas elevadas de desemprego têm impacto negativo no mercado interno. Há que se estabelecer critérios mais rigorosos para promover eliminação de postos de trabalho. E, se recurso for inevitável, que seja um processo responsável do ponto de vista social e trabalhista, contando com acompanhamento das entidades sindicais e seguindo um processo transparente e com salvaguardas para os demitidos.
O governo federal está cumprindo sua parte ao fortalecer e consolidar uma rede de proteção e promoção social e intensificando as políticas de geração de trabalho e renda, de geração de oportunidades de inclusão, estimulando a economia solidária, estabelecendo parcerias. O desenvolvimento do Plano Setorial de Qualificação voltado para beneficiários do Bolsa Família é um exemplo de articulação entre as políticas. Os empresários também estão sendo chamados à responsabilidade e precisam fazer sua parte, ampliando a consciência de que o conceito de responsabilidade social começa dentro da empresa e se estende por toda a sociedade.
PATRUS ANANIAS é ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
Mãe, ponto focal do plano divino
Walmor Macarini
Diz o Livro do Conhecimento que a mãe é o ponto focal mais poderoso do plano divino e que ela é quem transfere as primeiras energias evolucionárias ao corpo que se forma em seu ser. A criatividade da mãe vem do poder do seu potencial de amor, e este emana de seu poder divino. Os genes/essência irradiados para ela e semeados em seu útero são os que se conectam com o potencial do Universo. O ser que nasce está em contato com a energia da mãe desde o plano espiritual. As duas energias então se unem. O amor da mãe prepara o meio de vida para o ser que virá e que é preexistente à fisicalidade. Cada mãe traz energia para gerar até seis crianças, mas pode utilizá-la para outras mais. Dan Brown, no Código Da Vinci, refere-se ao útero materno como o sagrado feminino o cálice receptador e gerador da vida humana nesta dimensão.
Nas vésperas do Dia das Mães retiro do baú o célebre édito do bispo chileno Ramon Angel Jara (extraído do seu álbum e traduzido por Guilherme de Almeida), que diz:
Uma simples mulher existe que, pela intensidade de seu amor, tem um pouco de Deus; e pela constância de sua dedicação tem muito de anjo; que, sendo moça, pensa-se como uma anciã, e, sendo velha, age com as forças todas da juventude; quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida, e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças; pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama, e rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos; forte, entretanto estremece ao choro de uma criancinha, e fraca se alteia com a bravura dos leões; viva, não lhe sabemos dar valor, porque à sua sombra todas as dores se apagam; e morta, tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo e dela receber um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios. Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum. Porque eu a vi passar no meu caminho. Quando crescerem seus filhos, leiam para eles esta página. Eles lhes cobrirão de beijos a fronte; e dirão que um pobre viandante, em troca de suntuosa hospedagem recebida, aqui deixou para todos o retrato da própria mãe.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA





