A violência e os excluídos

A maior de todas as exclusões é a do conhecimento, principalmente a respeito de problemas que atingem a todos os cidadãos. A sociedade brasileira é vítima indefesa dessa exclusão, isto porque muitas afirmações que surgem nos noticiários são inverdades propaladas pelos que detêm o poder da comunicação. Essa exclusão está gerando uma série incontável de mal-entendidos, de falcatruas e de engodos que levam a comunidade a acreditar em coisas impossíveis de realizar.
Nossos problemas estão passando de geração a geração, embora alguns governantes anunciem que estamos crescendo e que o progresso do Brasil, como sociedade democrática e livre, está garantido pela evolução dos direitos de todos. No entanto, a saúde pública continua em estado lastimável. A educação é perversa: escolas abandonadas, professores mal remunerados, ensino deficiente. As estradas estão em péssimo estado, algumas prefeituras já não podem pagar seus funcionários e a distribuição da renda nacional é risível. A juventude está mais perplexa do que nunca uma vez que após obter o diploma não tem um emprego para realizar-se profissionalmente. Homens e mulheres vivem o desespero do desemprego.
Entretanto, a história dos ''olhos azuis'', responsabilizados pela crise financeira internacional, é noticiada como um feito nacional quando na verdade não passa de uma bravata mal colocada. Que notável poder de retórica mal aplicada e deixada ao sabor dos acontecimentos em que os olhos de uma pessoa são o motivo da culpa por fraudes, operações fraudulentas, alimentadas pela ganância dos poderosos e acumpliciadas pelas inverdades dos políticos de plantão. A cor dos olhos ou dos cabelos, bem como a origem das pessoas, nada tem a ver com as crises financeiras e com a violência, ambas filhas gêmeas da má distribuição de renda, da exclusão do conhecimento, da corrupção e de todas as formas de exclusão existentes na sociedade capitalista dita moderna.
SERVIO BORGES DA SILVA é advogado em Londrina



Somos produtores de milagres

  Os milagres não ocorrem de fora para dentro mas a partir do nosso interior. O poder da fé individual conecta-se à corrente das vibrações cósmicas semelhantes e assim os fenômenos acontecem. O milagre não é algo inusitado mas um processo natural. É o pouco exercício de fazê-lo manifestar-se, pela nossa descrença de que somos capazes, que nos induz a pensar em coisa milagrosa operando-se fora de nós. Jesus nunca dizia ‘‘eu te curei’’ e sim ‘‘a tua fé te curou’’. O Mestre era apenas o agente motivador da fé nos enfermos, então era essa fé que produzia o milagre. Lembremo-nos sempre de sua frase: ‘‘O que faço vós também o fareis, e ainda melhor’’.
  Todo ser é dotado de poderosa energia interior, que move a consciência celular. Quando há uma forte intenção os milagres acontecem. É que os homens foram ensinados a crer apenas em forças externas, que na verdade são uma só força, por isso todos a compõem e estão envolvidos nela. Se não a acionamos em nós, entrelaçando-a com o campo unificado do universo, essa energia pessoal atrofia-se, por desuso. Até a fé que o descobridor do remédio coloca nele opera milagres de cura.
  Diz-se que é espiritual algo transcendente, como forma de diferenciá-lo do que dizemos material, mas tudo é uma só substância. O universo é uma só usina de força e mesmo a intercessão do que nomeamos divindades (porque todos somos iguais coirmãos) se move por essa mesma energia. Se não somos todos ‘‘santos homens’’, somos santos em nossa essência e podemos acionar esse poder – Jesus dizia ‘‘o Reino dentro de vós’’. As religiões não realçam esse atributo de divindade dentro de cada indivíduo, no entanto, é uma das mais importantes revelações. Esse Reino é a essência da vida e nossa junção ao seio de Deus.
  Mas os tempos de mudança de entendimento são chegados, e não serão os adultos que irão mudar-se tão facilmente e sim as nossas crianças. Fiquemos atentos a elas. As crianças não respiram o mesmo ‘‘oxigênio’’ dos velhos (por isso rebelam-se) e começarão a nos ensinar. Essa evolução emergirá também das religiões, que terão nessas crianças-cristal seus grandes e futuros mensageiros.

WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA

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