ESPAÇO ABERTO
O uso de sistemas de rotação de culturas que incluam a semeadura de plantas com elevado potencial de produção de biomassa e dotadas de um sistema radicular abundante constitui-se em uma alternativa viável para diminuir o grau de compactação do solo dentro do sistema de plantio direto (SPD) e para colaborar com a sustentabilidade desse sistema de produção.
Resultados obtidos pela pesquisa mostram que a sucessão soja/milho safrinha, quando utilizada por vários anos seguidos, pode resultar na formação de uma camada compactada a 10-20 centímetros de profundidade no SPD. Porém, o uso de forrageiras tropicais (Brachiaria ruziziensis e Brachiaria brizantha) durante dois invernos seguidos ou durante um ano (inverno e verão) é o suficiente para eliminar essa camada compactada.
Em virtude da diminuição da compactação do solo, a soja implantada em sequência às braquiárias produz 50% a mais de raízes em todas as camadas de solo, até 1 metro de profundidade, aumentando em 300 kg/ha a produtividade da soja em relação ao milho safrinha. Além disso, a cobertura morta proporcionada pelas forrageiras tropicais é fundamental para proteger o solo contra a erosão, colaborando ainda para conservar a umidade e para diminuir a infestação de plantas daninhas.
A compactação do solo no sistema de plantio direto (SPD) geralmente está associada ao tráfego de máquinas agrícolas pesadas em condições de solo úmido e à utilização de culturas que produzem baixo resíduo vegetal (palha), o que reduz os teores de matéria orgânica do solo. Camadas compactadas de solo limitam o crescimento do sistema radicular em profundidade e, consequentemente, o volume de solo explorado pelo mesmo em busca de água e nutrientes.
A compactação resulta ainda na diminuição do volume de água armazenado no solo, devido principalmente à redução na capacidade de infiltração de água. Portanto, a eliminação de camadas compactadas de solo é uma das principais estratégias quando se pensa em aumentar a resistência da lavoura à seca.
Plantas tradicionalmente utilizadas com essa finalidade em regiões com invernos mais frios e úmidos (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e centro-sul do Paraná), como a aveia preta e o nabo forrageiro, não apresentam desempenho satisfatório em regiões com invernos secos e quentes, que incluem as áreas de transição climática (norte do Paraná e sul de São Paulo). Neste contexto, forrageiras tropicais perenes, como as plantas dos gêneros Brachiaria spp. e Panicum spp, podem se constituir em boas alternativas para a produção de cobertura de solo e para a diminuição do grau de compactação do solo.
Existem basicamente duas formas por meio das quais as forrageiras tropicais podem ser incluídas em um sistema de produção de grãos manejado sob SPD. Uma delas corresponde à utilização de sistemas mistos de integração lavoura-pecuária, onde são alternados, numa mesma área, cultivos de lavoura e pastagens, por períodos superiores a um ano. Na outra opção, as forrageiras tropicais são semeadas após as lavouras de verão, permanecendo na área durante o outono-inverno. Na primavera, elas são dessecadas e a área é usada para a produção de grãos no verão. Ou seja, as forrageiras tropicais perenes são tratadas como sendo de ciclo anual, podendo, no entanto, ser utilizadas para pastejo. Além disso, elas podem ser implantadas em cultivo solteiro ou consorciado às culturas de grãos usadas na safrinha, como o milho e o sorgo.
Portanto, o uso de forrageiras tropicais em sistemas de rotação de culturas representa uma alternativa para aprimorar o sistema de plantio direto e, assim, colaborar para a sustentabilidade dos sistemas de produção.
JULIO CEZAR FRANCHINI e HENRIQUE DEBIASI são pesquisadores da Embrapa Soja em Londrina
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