Nes­te do­min­go,
no­va­men­te os elei­to­res
de Lon­dri­na vol­tam
às ur­nas. De to­dos os
ân­gu­los que se ob­ser­ve
tra­ta-se de uma
elei­ção es­pe­cial



Desde o início de sua história a política londrinense tem acompanhado o movimento democrático nacional. Com o fim do Estado Novo, em 1945, até o golpe militar de 1964, Londrina destacou-se por sua autonomia política. Muito provavelmente em razão dos problemas estruturais que emperravam seu desenvolvimento econômico, desde cedo surgiram na cidade lideranças que reivindicavam verbas e obras para o município. Em 1945, um grupo local ligado a correntes políticas diversas assinou um manifesto contra a ditadura Vargas e a favor de uma reforma eleitoral que fosse capaz de aumentar a influência política do município no Estado. A defesa dos interesses da comunidade local sempre foi uma marca da cidade.
Com o regime militar não foi diferente. Desde a primeira eleição municipal até a Constituição de 1988, o eleitorado de Londrina posicionou-se claramente a favor da democracia e contra o regime militar. Naqueles anos difíceis de repressão política, votar no partido da oposição significava tirar a legitimidade do regime e expressar a preferência pelo Estado de Direito.
Com a democratização, foram os partidos de centro-esquerda que ganharam a preferência do eleitorado, revezando-se na Prefeitura de Londrina: em 1988 Belinati foi eleito pelo PDT; Cheida pelo PT, em 1992; novamente Belinati, em 1996; e Nedson, pelo PT, em 2000 e 2004. Mas em Londrina foi possível detectar a tendência à fragmentação e fragilização partidária que tomou conta do Brasil desde então. Nedson não ocupou a posição de liderança cabível a um prefeito com oito anos de mandato. Cheida nem mais se encontra no PT. E Belinati desprendeu-se dos partidos, abandonando o PDT e reforçando a imagem de populista e carismático, avesso à política partidária.
Em 2000, denúncias de corrupção levaram à cassação de Belinati. Não é exagero afirmar que esse resultado foi estimulado por um movimento político na cidade contra a corrupção, que mobilizou os mais diferentes setores sociais com base na compreensão de que os representantes políticos devem prestar contas de seus atos à sociedade. As denúncias foram acatadas pela Justiça e dezenas de processos tramitam contra o ex-prefeito e seu grupo político.
Contudo, mais uma vez, nas eleições municipais de 2008 o popular Belinati foi eleito prefeito. Não cabe neste espaço discutir o que motivou os cidadãos londrinenses a rever a posição predominante em 2000, quando se deu o movimento pela cassação, e em 2004, quando o candidato do PT derrotou Belinati nas urnas. Mas é importante lembrar que a Justiça Eleitoral, ao impugnar a candidatura de um ex-prefeito que desrespeitou as normas do Tribunal de Contas, apenas reafirmou a tendência de decidir em favor das regras do jogo democrático. Nos últimos anos, os tribunais superiores no Brasil vêm se destacando por assumir posições firmes que muitas vezes contrariam interesses que se encontram incrustados na política nacional.
Diante dos acontecimentos, neste domingo novamente os eleitores de Londrina voltam às urnas. De todos os ângulos que se observe trata-se de uma eleição especial. Mas o mais interessante é que os candidatos - Hauly e Barbosa Neto - apresentam-se como duas opções bastante diferenciadas, o que só faz aumentar a responsabilidade dos eleitores.
Hauly foi prefeito de Cambé na década de 80 e desde 1991 é deputado federal. É um político de partido, voltado para reivindicações de caráter coletivo de amplos segmentos sociais. Barbosa Neto foi eleito deputado estadual em 2003 e deputado federal em 2007. Embora a maior parte de sua história política seja ligada ao PDT, um partido com feição social-democrata, observa-se em sua trajetória uma progressiva tendência em seguir o rumo do personalismo político. Na retórica e no gestual Barbosa Neto aproxima-se de forma consciente de Belinati, a quem apoiou no segundo turno, e de quem recebe apoio, neste ''terceiro turno''.
Estas eleições são diferentes também porque nem o PT e nem Belinati, que governaram Londrina durante seis administrações, estarão na disputa. Qualquer um que seja eleito trará um ar de novidade. Mas mais do que eleger um novo prefeito, os londrinenses estarão optando por um determinado modo de fazer política. E tudo indica que esta escolha implicará numa direção para o futuro político da cidade. Tomara que Londrina tome a decisão certa.

LUZIA HERRMANN é cientista política e professora na Universidade Estadual de Londrina

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