ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de março de 2009
Dom Orlando Brandes 
A paz é possível. O
mundo pode ser diferente.
Deus é nosso rochedo,
segurança e paz. Observemos
o mandamento do amor, para
que a segurança habite
entre nós e sejamos
agentes de segurança
A Campanha da Fraternidade de 2009 tem como tema ''Fraternidade e Segurança Pública'' e o lema é ''A paz é fruto da justiça'' (Is 32, 17). Para uma convivência pacífica e segura é preciso preservar a ordem pública, a integridade das pessoas e dos seus bens. O texto base da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enfoca 16 tipos de violência: a familiar, a abortiva, a ideológico-religiosa, nos esportes, o racismo, no trânsito, no campo, nos meios de comunicação, contra indígenas, contra a natureza, as drogas, a corrupção, o tráfico humano, a exploração sexual, o mundo do trabalho e a violência policial.
A violência familiar se desdobra em oito violências distintas: agressão física, agressão de crianças, de idosos, de mulheres, dos filhos, contra a doméstica, por droga e alcoolismo. A violência nas escolas é também alarmante.
Suplicamos por segurança em casa, nas ruas, no trânsito, nos cárceres, nas florestas, contra a corrupção e a miséria. Não podemos ser reféns em nossas próprias casas. Há horários que não é mais possível ir à igreja, à escola, ao mercado, a uma reunião. Este é o ''século do medo e da indústria do medo''. Há pessoas buscando excesso de proteção. A solução é a ''cultura da paz''.
Observar os Dez Mandamentos e a lei de ouro - ''faças aos outros, o que queres que façam a ti'' - é uma proposta objetiva e viável da paz e da segurança. Não se resolve a segurança pública com sistema punitivo, com espírito de vingança, nem com a força das armas. Todos os culpados devem cumprir as penas, mas de modo medicinal e reeducativo.
As religiões têm o dever de promover a paz. A família deve ser o primeiro lugar de segurança, inclusive o útero materno. A escola tem a obrigação de educar para a cidadania. A lógica da misericórdia põe limite à violência e ao mal. A fidelidade ética consiste em combater a criminalidade, a impunidade e o abuso dos direitos. A paz é obra da justiça.
Fraternidade e segurança pública é também ajudar as vítimas da violência, apoiar e colaborar com os bons policiais e com os ''amigos da segurança'' os bombeiros, a defesa civil, a guarda penitenciária, os vigias e tantos outros. Nossa Igreja oferece sua ajuda e colaboração com a Pastoral Carcerária, a Comissão de Justiça e Paz, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, os conselhos comunitários, os grupos de reflexão e de oração que têm ajudado tantos detentos e seus familiares e auxiliado os bons policiais a serem promotores da justiça e da paz.
Jesus educou o soldado que o feriu com uma bofetada (Jo 18, 23) e elogiou a fé do centurião romano (Mc 7, 1-10), e foi um centurião que vendo Jesus morrer na cruz disse: ''Verdadeiramente este homem era justo'' (Lc 23, 47). Jesus foi vítima da falta de segurança pública no tempo de Herodes. A Sagrada Família teve que fugir para o Egito. Jesus não se vinga de seus algozes e opressores, mas os educa e faz tudo para salvá-los. A paz é possível. O mundo pode ser diferente. Deus é nosso rochedo, segurança e paz. Observemos o mandamento do amor, para que a segurança habite entre nós e sejamos agentes de segurança.
A ''cultura da paz'' é a grande e concreta proposta para uma segurança pública eficaz. O combate à pobreza, à corrupção, à desigualdade social, são pilares a cultura da paz. Sem os princípios éticos do respeito aos direitos humanos, à dignidade da pessoa, à igualdade de todos perante a lei é ineficaz qualquer esforço em favor da paz. Segurança pública tem tudo a ver com a sociedade justa, fraterna e solidária. Ensina o apóstolo Paulo: ''Vence o mal com o bem''. A proposta definitiva de Jesus para a segurança pública é o reino de Deus. Reino da verdade, da vida, da justiça, da liberdade, da alegria e da paz.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


